Promover uma transformação digital sustentável

Jun 14, 2021 | min read
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CI&T

Temos vindo a receber nos últimos meses muitas perguntas de executivos que procuram algo que vá além das soluções digitais para os seus desafios.


Procuram formas de tornar as suas empresas mais centradas no digital. Recebemos cada vez mais perguntas a cada dia que passa, um claríssimo sinal do impacto das novas tecnologias nos negócios de hoje. O mercado compreende os seguintes elementos: Existem empresas que nasceram na era digital e estão a criar produtos e experiências inovadoras a um ritmo muito rápido. E depois há as empresas tradicionais que estão a tentar reinventar-se. E no centro de ambas está o consumidor, cujos imperativos, necessidades e comportamentos mudam com frequência.

Segundo um estudo designado “The Agility Trap”, ou “armadilha da agilidade”, que fez uma análise global sobre os executivos no ano de 2016, 82% dos CEO de todo o mundo acreditam ser necessário acelerar as transformações da empresa para acompanhar o ritmo do desenvolvimento dos setores. Mostrou também que os mercados mais avançados estão nos E.U.A. e na Europa, onde 52% das empresas já estão a criar novos projetos digitais.
 
Um outro estudo realizado pelo Enterprise Strategy Group (ESG) com a designação de “IT Transformation Maturity Curve”, ou “curva de maturidade da transformação das TI”, mostrou que num universo de 1000 CIO de todas as partes do mundo, 71% indicaram que a transformação digital é necessária para manter o seu negócio relevante e possuir capacidades competitivas no novo mercado. Apenas 5% dos CIO consideram estar preparados para uma transformação deste género. 

Alguns executivos indicaram que já experimentaram ou implementaram alterações com vista a criar um ambiente mais digital, como subcontratar soluções para questões e projetos de marketing, estratégia e inovação, que podiam até funcionar, mas não implicavam necessariamente uma mudança transformativa ou resultados duradouros. Outra prática comum é ir buscar inspiração aos gigantes tecnológicos como o Spotify ou a Google. Mas parece-nos uma ideia pouco prática porque a observação destas empresas só revela o produto final. A análise destes colossos tecnológicos pode revelar detalhes acerca dos seus modelos de negócio e como é que funcionam no caso deles, mas não revela de que forma poderiam funcionar no seu caso ou no caso da sua organização. Algumas destas organizações nasceram na era do digital e se calhar nunca tiveram que passar por nenhuma transformação, o que pode não ser o caso da sua própria empresa. A realidade deles pode não ser necessariamente igual à sua e vice-versa.

As empresas contratam frequentemente empresas de consultoria que assinalam a necessidade de uma transformação digital. Estas empresas de consultoria prometem ajudar a alterar o seu modelo de negócio, mas esta abordagem nem sempre dá origem a uma mudança sustentável. Num curto prazo de tempo, os novos processos são esquecidos e as pessoas regressam aos velhos e conhecidos hábitos de fazer as coisas. Tudo isto após gastar uma boa fatia do orçamento, para além do tempo e esforço investido pelas equipas em algo que fica muito aquém de uma verdadeira transformação digital.

O percurso que transformou digitalmente a CI&T

Sabemos, por experiência própria, que as empresas tradicionalmente lentas têm de criar uma estrutura operacional completamente nova para levar a cabo a transformação digital. Estas empresas, apelidadas de “slow by design” por Eric Schmidt e Jonathan Rosenberg (CEO e SVP de Produtos da Google, respetivamente), foram concebidas como máquinas fiáveis de modo a minimizar riscos. 

“O problema é que a maioria das empresas hoje em dia são administradas no sentido de minimizar o risco, não de maximizar a liberdade e a velocidade. A informação e os dados são acumulados, não partilhados. A conceção destas empresas é um vestígio de uma era em que os erros saíam caros e a ponderação era uma virtude. O poder de tomar decisões está nas mãos de poucos. Por outras palavras, a maioria das empresas foram concebidas para ser lentas! Esta abordagem não funciona no século da Internet.”

Eric Schmidt, quoted in How Google Works, Schmidt, Rosenberg and Eagle, 2014

A CI&T não nasceu como uma empresa digital. Apesar de sermos uma empresa tecnológica, fomos durante a nossa primeira década uma fábrica de software que seguia os moldes tradicionais do setor. A nossa filosofia consistia em comandar e controlar e tínhamos 450 práticas complexas para executar as atividades. Quando sentimos necessidade de adotar um modelo mais ágil e rápido, o resultado foi um desmantelamento gradual e produtivo de silos, burocracia e processos com base num sistema Lean. Através de um conjunto de processos simples, esta metodologia materializa uma nova e determinante maneira de pensar: uniformiza a maneira de resolver problemas. O problema é abordado da mesma forma, seja ele relacionado com a máquina de café da receção ou com a entrada da empresa no mercado japonês. O dilema resolve-se da mesma maneira: analisa-se o contexto, descobre-se os pontos fracos e fortes e realiza-se um diagnóstico. 

A CI&T não nasceu como uma empresa digital. Apesar de sermos uma empresa tecnológica, fomos durante a nossa primeira década uma fábrica de software que seguia os moldes tradicionais do setor. A nossa filosofia consistia em comandar e controlar e tínhamos 450 práticas complexas para executar as atividades. Quando sentimos necessidade de adotar um modelo mais ágil e rápido, o resultado foi um desmantelamento gradual e produtivo de silos, burocracia e processos com base num sistema Lean. Através de um conjunto de processos simples, esta metodologia materializa uma nova e determinante maneira de pensar: uniformiza a maneira de resolver problemas. O problema é abordado da mesma forma, seja ele relacionado com a máquina de café da receção ou com a entrada da empresa no mercado japonês. O dilema resolve-se da mesma maneira: analisa-se o contexto, descobre-se os pontos fracos e fortes e realiza-se um diagnóstico. 

 "Um dos segredos do sucesso de uma organização é a maneira como reflete sobre os seus próprios problemas e o que aprende com eles"

 John Shook, Managing for Learning, 2008

Aplicar princípios Lean no contexto digital no âmbito da CI&T esteve na origem de uma redução significativa de processos de trabalho. Passamos de 450 para 32, o que mudou profundamente a maneira como a nossa equipa trabalhava, assim como a cultura da empresa. Tornamo-nos mais ágeis e alcançámos a velocidade que queríamos. A nossa base digital foi então criada, a qual apelidamos de “transformação digital Lean”.

Assegurar uma transformação sustentável

A transformação digital Lean propõe uma transformação gradual, segura e bem estruturada realizada num percurso de melhoria constante. Por oferecer uma perspetiva clara de objetivos em termos de maturidade digital, é traçado um plano de três meses que estabelece as prioridades das áreas problemáticas e dos projetos cuja resolução satisfatória com recurso a práticas tradicionais não é possível. Ao utilizar a metodologia Lean Digital, com os seus curtos ciclos de teste e aprendizagem, torna-se possível encontrar soluções em pouco tempo e gerar valor ao final de cada trimestre de modo a garantir um impacto positivo nos rendimentos.

Os resultados dos métodos Lean Digital captam a atenção dos acionistas, bem como dos gestores, que conseguem assim entregar melhores resultados, enquanto que os funcionários veem o seu trabalho mais valorizado. Quando a transformação positiva que ocorre com o uso do Lean fica à vista, todas as pessoas envolvidas neste processo acabam por ser seus porta-vozes e envolvem outras pessoas da organização. Com resultados melhores e mais rápidos, para além do aumento das receitas e uma forma de trabalhar mais eficiente, a mudança gradual da cultura da empresa e a transformação digital começam a produzir efeitos. 

Um desafio inesperado

Assim que começa a transformação, ou seja, quando ocorrem as mudanças nas equipas, apercebemo-nos que temos um novo desafio: mudar as práticas de liderança. Os líderes testemunharam as novas formas de trabalhar das suas equipas, mas continuaram com a mesma maneira de pensar e de fazer as coisas. Os líderes devem promover a transformação e, portanto, têm a responsabilidade de influenciar as atitudes e mentalidades que irão permitir a mudança. 

Na nossa experiência, os líderes têm geralmente resistência à mudança de rotinas. Ao contrário dos sistemas tradicionais de gestão, nos quais o líder é a figura distante que delega tarefas e espera pelos resultados, a metodologia Lean coloca os líderes a trabalhar ao lado da equipa durante o processo. Através de formação específica, os gestores aprendem a estar disponíveis e a fazerem parte das atividades, nas “trincheiras” com a sua equipa, a liderar e a ajudar a resolver problemas.

Uma vantagem contínua

Na CI&T acreditamos que as empresas que aprendem e aplicam a metodologia Lean no âmbito do digital irão alcançar o sucesso e ter sempre uma vantagem sobre os seus concorrentes que continuam a trabalhar com modelos tradicionais. Com o Lean Digital, as organizações podem ter poderosas ferramentas que lhes permitem alcançar uma maior velocidade em escala enquanto criam produtos de qualidade.


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