The Cultural Transformation Challenge

Dez 10, 2021 | min read
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Carolina Wosiack

Recentemente, na Corporate Innovation Summit, Carolina Wosiack, a nossa Diretora-Geral para a região da Europa, Médio Oriente e Ásia conduziu um debate sobre transformação digital e cultura. A transformação digital por vezes implica reformular a estrutura das organizações, mas não se dedica o tempo necessário a explorar as mudanças organizacionais do ponto de vista das pessoas. Indicamos a seguir três ideias que surgiram nesta discussão e que podem orientar a transformação na sua organização.

1. Visão clara e identidade comum

Se quiser seguir um percurso de transformação, o primeiro passo é ter uma visão clara para a sua organização. Esta é uma forma de contribuir para o progresso das pessoas, processos, produtos e plataformas. Quando os valores estão claramente definidos, estabelece-se um propósito e sentido para os funcionários. Um dos aspetos mais difíceis quando se desfaz o status quo é a existência de ambiguidade. Apesar de não existir uma solução rápida para isto, a existência de um mandato e um objetivo claro da empresa é um fator unificador e confere um sentido de propósito ao trabalho que está a ser executado.

A transformação cultural deve ter em conta os valores empresariais existentes, mas é possível acrescentar uma perspetiva de expansão dos objetivos. É essencial ter objetivos claros em toda a empresa que estejam alinhados com os mercados locais, principalmente no caso das empresas multinacionais.

2. Liderança forte

Objetivos empresariais claros exigem uma liderança forte que saiba executá-los com sucesso.  Uma característica-chave de um líder de sucesso é a ambidestria, ou seja, a capacidade de colocar a organização a redistribuir recursos e capacidades para fazer face a novas ameaças e oportunidades. Os líderes devem manter em equilíbrio as atividades comerciais base da empresa e a inovação, e dedicar tempo e recursos a ambas para evitar que entrem em competição entre si. Na prática, isto significa que os líderes devem conseguir fazer escolhas difíceis no contexto da organização no sentido de reconfigurar recursos para promover iniciativas experimentais que tenham por missão definir de forma clara os objetivos e a identidade da empresa. 

3. Iteração

No contexto das iniciativas de inovação, os líderes devem ponderar a aplicação de uma abordagem diversificada de modo a alcançarem o melhor equilíbrio possível entre a parte tradicional do negócio e as iniciativas de crescimento. Através da criação de horizontes de inovação que dividam as iniciativas, a organização pode manter a sua base de negócios e inovar de forma progressiva, para além de alcançar novos clientes e mercados, produzindo assim novas capacidades organizacionais. Apresentamos abaixo os horizontes sugeridos.

  • Horizonte 1: Inovação contínua no modelo de negócio já estabelecido de uma empresa e nas capacidades empresariais a curto prazo.
  • Horizonte 2: Alargar o atual modelo de negócio de uma empresa e as capacidades organizacionais a novos clientes, mercados ou públicos-alvo.
  • Horizonte 3: Criar capacidades e fluxos de negócio para dar origem a uma vantagem competitiva, responder a oportunidades e fazer face ao efeito disruptivo da competição no mercado.

A melhor maneira de apoiar uma transformação mais flexível é através de metodologia “agile”, um sistema concebido para gerir grandes tarefas através da sua divisão em fases mais curtas. Assim que começa uma fase, os líderes planeiam o seu trabalho, executam-no e depois avaliam o progresso antes de passarem à próxima fase da tarefa, o que possibilita melhorias contínuas ao longo do projeto e permite alterar ou mudar a dinâmica do trabalho, se for necessário.

Através da utilização de um conjunto de métodos, as equipas conseguem aprender e adaptar-se depressa e a sua empresa pode dar início à transformação digital de forma sustentável e dimensionável, o que por sua vez contribuirá para estar preparado para os desenvolvimentos mais inesperados do setor.

Pouco importa em qual destes horizontes de inovação se encaixa o seu produto ou serviço. A execução deve ser ágil, tendo sempre em conta que cada horizonte requer diferentes tipos de gestão, ferramentas, prioridades e objetivos. As empresas devem distribuir capital por todos os três horizontes.

Isto é só o início, mas é um ponto de partida para construir uma cultura de inovação, alinhar a inovação com a estratégia da empresa, atribuir responsabilidades e possuir recursos adequados para alcançar metas e objetivos. O verdadeiro desafio não é testar e aprender, é conseguir repetir e dimensionar a inovação. 


Carolina Wosiack

Carolina Wosiack

Managing Director EMEA, CI&T