Estruturas organizacionais: o cenário pede adaptações

Nov 07, 2022 | min leitura
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Marcos Fernandes

Todo mundo está em busca da tão sonhada eficiência e de uma estrutura organizacional que torne isso possível, e não à toa. Essa é uma das palavras que mais têm ecoado em um cenário mercadológico que exige investimentos mais enxutos para se fazer “mais com menos”.

Dado esse desafio, cada vez mais a tecnologia está se tornando parte do core business das empresas, mas a implementação eficaz de novas soluções envolve o alinhamento entre as responsabilidades e os objetivos estratégicos e individuais das áreas, além da necessidade de lidar diretamente com pessoas, que são o principal “motor” desses contextos.

Assim, se o foco é direcionado apenas à adoção de ferramentas, frameworks, ou soluções de automação, mas as mudanças culturais e organizacionais capazes de acompanhar as novidades ficam em segundo plano, os avanços são bloqueados de um lado por causa da defasagem do outro.

As estruturas e as topologias são construídas em torno de um momento da empresa. Se o momento muda, elas também mudam. Caso contrário, surgem as ineficiências estruturais, um dos principais obstáculos de empresas durante a transformação digital.

Investimentos inadequados e consequências

Quando voltamos o olhar para a área de tecnologia no contexto da estrutura organizacional, esteja a tecnologia no campo central do negócio ou em um cenário de alta demanda de ferramentas modernas nas operações de suporte (como pipelines integrados e afins), é perceptível uma série de problemas corporativos que, de tão comum, já não é mais surpresa.

Um exemplo? Empresas que fazem altos investimentos em diferentes aspectos tecnológicos que não geram resultados na mesma proporção. Quando dedicam recursos a estruturas não aproveitadas em todo potencial, percebem desempenho abaixo do esperado. Aí, ao serem confrontadas por causa de baixas performances, as equipes defendem as atuações fazendo afirmações como os exemplos a seguir.

  • “Todo mundo está superocupado e não tem espaço para fazer nada diferente”.
  • “Um dos principais problemas é que há muitas iniciativas em paralelo”.
  • “O time cresceu muito nos últimos anos”.
  • “Entregamos muito, mas parece que ninguém enxerga o resultado”.
  • “Perdemos muitas pessoas, e algumas estão com risco de desenvolver burnout”.
  • “A maior parte do meu dia se concentra em agendas de alinhamentos e reuniões pouco produtivas”.

Não existe uma única resposta para resolver os diversos problemas que emperram a conquista da eficiência digital, mas há aprendizados e cenários comuns em que podemos nos apoiar para estabelecer avanços.

Estruturas e topologias são construídas em torno de momentos

Se, em determinada época, fazia sentido para a organização priorizar entregas volumosas feitas por um grande time atuando de modo centralizado, também fazia sentido que as operações, além das relacionadas à “mão na massa” da construção de um produto (envolvendo times de desenvolvimento e design), fossem centralizadas. Nesse caso, uma única esteira de produção se alinharia perfeitamente a uma de pós-produção.

Acontece que, atualmente, deploys independentes são determinantes no sucesso das companhias em um contexto que exige aceleração constante em todos os níveis de operação. Infelizmente, várias organizações se preocupam em diversificar os times de Desenvolvimento e Design, mas se esquecem de algo essencial: diluir também as demais operações. 

Os prejuízos dessa configuração engessada não tardam a aparecer, como:

  • demandas que parecem grandes demais para determinada equipe;
  • gargalos nos fluxos de trabalho;
  • confusões quanto a novas decisões tomadas sem o conhecimento dos envolvidos que executarão as tarefas;
  • times empurrados para múltiplas direções, o que acaba comprometendo a produtividade;
  • surpresas constantes, ou seja, menos alinhamentos;
  • mudanças bruscas de estrutura de tempos em tempos;
  • falta de engajamento.

Portanto, a adaptação da estrutura se torna crucial para a manutenção e a expansão dos negócios.

4 tipos de times fundamentais para acelerar

Considerando o cenário mercadológico atual, em que as empresas precisam atender às expectativas e às necessidades de clientes com alta velocidade para atingir a eficiência digital, assim como acompanhar as mudanças de maneira não linear, times com determinadas características e atribuições fazem toda a diferença.

Em Team Topologies: Organizing Business and Technology Teams for Fast Flow, Matthew Skelton, Manuel Pais e Ruth Malan também fornecem dicas valiosas sobre o assunto. Os autores descrevem quatro tipos de times fundamentais na conquista da eficiência digital, que são apresentados a seguir.

  • Stream-aligned teams: concentram-se em um único fluxo de trabalho e costumam estar muito próximo do cliente e adotar metodologias ágeis.
  • Enabling teams: ajudam a equipe alinhada ao fluxo a superar obstáculos e se concentram em pesquisa e experimentação.
  • Complicated subsystem teams: responsáveis por construir e manter a parte de um sistema que requer habilidades e conhecimentos específicos.
  • Platform teams: colaboram com equipes alinhadas ao fluxo e constroem plataformas de forma incremental, focando a usabilidade e trabalhando no suporte e na manutenção desse sistema.

O apoio que fornecem uns aos outros ao mesmo tempo que há clareza das atuações (altamente independentes) ajuda a mitigar, e até a eliminar, os prejuízos de configurações engessadas listados no decorrer do artigo. Assim, assegura a entrega de valor contínuo.

Agora que já falei sobre a importância de estruturas e topologias adaptáveis construídas em torno do momento vigente, preparadas para novos períodos e projetadas agora, mas considerando o amanhã, deixo adiante minha dica final.

A CI&T, em e-book publicado recentemente, debruça-se sobre os princípios da eficiência digital, e você pode acessar o material gratuitamente por meio deste link. Muitas pessoas estão em busca desse sonho, e espero que, com as reflexões e as sugestões deste texto, você fique mais perto de realizá-lo.


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Marcos Fernandes

Head of Technology, CI&T