O empreendedorismo em um mundo pós-pandêmico: Flávio Pripas

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Flávio Pripas, investidor Redpoint. é um dos grandes nomes brasileiros quando o assunto é inovação, empreendedorismo e startup. Nos tópicos, ele traz importantes reflexões e inspirações que ajudarão você a pensar em estratégias que vão nortear a construção de um amanhã melhor.

Esse é apenas um aquecimento para o nosso evento, em 24/6, que tem tudo a ver com a verdadeira transformação digital e com o futuro: o CI&T BIZ Impact.

Estamos em meio a uma tempestade digital

A tempestade digital, ela veio para ficar, ela vai acontecer absolutamente de qualquer maneira. O mundo está mudando muito mais rápido do que o que a gente consegue acompanhar. O mundo, ele muda numa curva exponencial enquanto o nosso cérebro só consegue acompanhar uma evolução linear. Então, a nossa única opção é tentar acompanhar tudo isso, é ser aberto a ler muita coisa, a estudar, a experimentar novas tecnologias, novas metodologias, novas formas de trabalhar: essa é a nossa opção hoje. E isso é muito bacana, que quanto mais a gente fica aberto para acompanhar tudo o que está acontecendo, mais a gente pode ligar pontos, ter algum insight e fazer alguma coisa que vai mudar o mundo.

O software segue engolindo o mundo (Marc Andreessen, 2011). O Software engolirá os líderes também?

O software já está engolindo os líderes também. Quantas decisões são tomadas que são baseadas em dados, baseadas na verdade, em algo que um software nos diz? Desde uma decisão de qual é a carga que um caminhão vai pegar primeiro ou vai pegar por último até decisões estratégicas. Então, o software já está engolindo tudo o que a gente conhece na humanidade. Aliás, a gente fala muito de Inteligência Artificial - IA: Artificial Inteligence. Eu não gosto desse termo, IA, Inteligência Artificial. Eu gosto do termo de IA como Inteligência Aumentada ou AI: Argumenting Inteligence. Por quê? Porque a tecnologia vem para aumentar a nossa inteligência e não para substituir a nossa inteligência.

Os maiores aceleradores do digital e da inovação

O maior acelerador do digital e das inovações, nas empresas, é a vontade da empresa de experimentar, de tentar, de acertar, de errar às vezes. Tem três palavras que definem uma start-up, na minha opinião, que são essas empresas ditas inovadoras: escala, velocidade e execução. Nas empresas, elas têm escala, têm execução, mas não têm muita velocidade para experimentar, para testar, para acertar e para errar. Se elas colocarem essa mentalidade, elas conseguem acelerar o seu processo de transformação.

Os maiores blocks

Absolutamente a maior barreira, o maior block, somos nós mesmos. É uma mudança de mentalidade: uma mudança de mentalidade que o mundo está se transformando cada vez mais rápido, que nós não temos todas as respostas e que a gente tem a obrigação de buscar através de experimentos. Experimentos onde você controla tempo, onde você controla dinheiro, mas você não tem como controlar resultado, mesmo porque quando você inova, você não sabe exatamente onde que você vai chegar. É muito importante pessoas e empresas darem abertura para experimentar, acertar e errar e, durante o processo, aprender para que possa entregar resultado no final.

“Quanto mais a tecnologia é protagonista, mais importante é o fator humano"

A tecnologia não vem para substituir o ser humano. E se nós, como seres humanos, nós sabemos aproveitar ao máximo a tecnologia, a gente pode, com isso, mudar o mundo. A gente pode, com isso, criar grandes empresas, a gente pode, com isso, mudar o status quo de pessoas que precisam que o seu status quo seja alterado. Então, quanto mais nós, humanos, nós abraçamos tecnologia para o nosso bem, coletivamente como sociedade, melhor para a humanidade.

O que inspira Flávio Pripas

O que me inspira, num momento como esse que nós estamos vivendo, é que é um ponto de inflexão na sociedade, na humanidade, onde nós estamos repensando pessoas, estamos repensando trabalho, futuro do trabalho, estamos repensando relacionamento, repensando tecnologia, repensando forma de, até de entregar valor para a sociedade. E sempre quando a gente tem esses pontos de inflexão, nós, seres humanos, temos uma capacidade enorme de nos reinventar e nos colocarmos numa posição até muito melhor. Eu gosto muito dos livros do Yuval Harari, que escreveu Homo Sapiens, Homo Deus, que ele fala que nós estamos vivendo na melhor época da humanidade no planeta Terra. É a época que tem menos fome, menos praga e menos guerra. E também gosto dos livros do Peter Diamandis, foi um dos fundadores da Singularity University, que ele fala sobre abundância.

Olha que momento mágico que a gente está vivendo, onde os cientistas conseguiram desenvolver vacinas extremamente eficientes em menos de um ano para uma doença nova. E olha o quanto de oportunidade que vai se abrir na nossa frente, a partir do momento que toda humanidade foi obrigada a abraçar a tecnologia mais rápido. Então, é… é muito bacana a gente viver esse momento e tentar ser protagonista desse momento.

Como ser protagonista desse momento? É abraçando novas tecnologias, novas formas de trabalhar, novas formas de entregar valor. E isso é muito importante para todo mundo que quiser se destacar agora no futuro próximo.

Aprendizados

O que eu mais aprendi na pandemia, que vale compartilhar, é que a gente não pode ficar parado. A pior coisa que é um ser humano pode fazer é ficar parado. Então, a gente sempre tem que estudar, testar, experimentar uma coisa nova, aprender, acertar e errar. O que não pode é ficar parado.

Eu mesmo estou falando aqui com vocês hoje porque eu sou fruto de uma crise lá de 2008, que fez eu entrar nesse mundo de inovação, de empreendedorismo, start-ups de investimento. Se não fosse por conta daquela crise, eu não estaria aqui falando. Então, a gente não pode desperdiçar uma crise, a gente tem que usar a crise como uma alavanca para que a gente possa se reinventar.

Saiba mais sobre o evento BIZ Impact 2021.


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