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O futuro dos pagamentos e banking no Brasil: quatro tendências que estão transformando o mercado financeiro Jun 27, 2023 | min leitura FinançasInteligência Artificial By Leandro Duran As melhorias nos meios de pagamentos e ‘banking’ no País auxiliam na inclusão financeira da população Mesmo com a grande instabilidade dos últimos anos, o setor financeiro brasileiro está em constante evolução e, por isso, garante papel de destaque no desenvolvimento de novas tecnologias. Temos acompanhado de perto os avanços acelerados em pagamentos e banking. Esse processo e ritmo se consolidam por uma atuação proativa e muito forte do Banco Central do Brasil (Bacen) na evolução tecnológica, fazendo com que o país caminhe a passos largos à frente de outros mercados do setor mundo afora.Anualmente novas soluções são desenvolvidas considerando uma demanda de mercado, o que garante uma mudança direta, não só no sistema, mas também no dia a dia da população. O resultado disso é a grande inclusão financeira ocorrida nos últimos anos, consequência das melhorias dos meios de pagamentos instantâneos recentemente adotados.Pensando em como o mercado tem caminhado para seguir com a transformação digital e a criação de novas tecnologias, nosso Head of Digital Strategy, Leandro Duran, listou as principais tendências financeiras que irão atingir o mercado nos próximos anos. Pix Lançado em novembro de 2020, o Pix ganhou espaço e a preferência dos brasileiros. Segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bancos (Febraban) com base em números do Banco Central, o Pix de pagamento instantâneo se estabeleceu como principal meio de transações feitas no sistema financeiro nacional, chegando a movimentar R$ 12,9 trilhões em pouco mais de um ano e meio no mercado. Em anúncios recentes, o Banco Central informou que a modalidade terá novidades neste ano, como o fim do limite individual por transação e possibilidade de personalização para o horário noturno. Outras mudanças anunciadas foram a possibilidade de pagamento de contas em débito automático e agendado com o Pix Automático, além das transferências internacionais. Para o Pix Saque e Pix Troco, haverá um aumento do limite para as transações, de R$ 500 para R$ 3 mil, durante o dia, e de R$ 100 para R$ 1 mil no período noturno. “Nos últimos dois anos, estima-se que mais de 60 milhões de pessoas que passaram a usar o Pix não tinham acesso a transferências bancárias via TED. Essa é uma das belezas das criações de novas tecnologias, garantir que a população fique integrada e utilize todas as facilidades disponíveis no mercado. Outra medida que visa disseminar ainda mais o uso do meio de pagamento é a criação do Pix Offline, que vai possibilitar a transferência sem o uso da internet. O BC está desenvolvendo essa função, que ainda não tem previsão para lançamento” Leandro Duran. Open Finance Lançado pelo Banco Central em março de 2022, o Open Finance nasceu para permitir a exploração dos dados no sistema financeiro nacional e oferecer maior autonomia para a população acerca de seus dados e informações, possibilitando o compartilhamento deles entre instituições financeiras, desde que previamente autorizado pela pessoa. “É mais uma ação de democratização desse mercado. Assim, as instituições têm acesso aos dados de transações bancárias, mesmo que a pessoa não seja seu cliente, possibilitando, assim, a oferta de produtos e crédito de forma mais barata e acessível. Outro ponto é que o Bacen está apostando na criação de ecossistemas a partir do Open Finance, gerando competição para o mercado e resultando em melhorias nos setores”, ressalta o especialista. Para 2023, o Banco Central pretende deixar a solução ainda mais ágil, com uma melhora de performance na partilha dos dados entre as instituições e aceleração da iniciação de pagamentos (ITP). Outra novidade é que apenas instituições reguladas pelo BC tinham a obrigatoriedade de participar do compartilhamento de dados. Instituições financeiras independentes, como os bancos digitais, tinham a opção de aderir ou não ao Open Finance. A expectativa é que essa realidade mude e mais empresas financeiras participem da solução. Com o objetivo de mitigar erros durante o compartilhamento das informações, o Comitê do Open Finance passou a ter um grupo dedicado à verificação dessa partilha, para evitar que a instituição receptora receba dados incompletos ou errados. Outra novidade é que, além da possibilidade de compartilhar produtos e serviços financeiros, em breve, será possível compartilhar também informações sobre investimentos de outras instituições. Real Digital A partir da discussão entre os bancos centrais do mundo todo para a criação de uma moeda digital (conhecida como a sigla em inglês, CBDC, Central Bank Digital Currency), que tem como objetivo melhorar a eficiência do mercado de pagamentos e promover a competição e a inclusão financeira para a população com pouco ou nenhum acesso a serviços bancários, o Brasil tem saído na frente dessa tecnologia.Desde 2020, o BC tem realizado diversas ações para a criação do Real Digital, como a criação de um grupo de trabalho focado na criação da moeda, que conta com a participação das principais instituições financeiras e os melhores especialistas do país. “A transformação de ativos financeiros em tokens trará muitas vantagens, como a auditabilidade, rastreabilidade e transparência das transações financeiras usando a moeda digital, além de aumentar a confiabilidade das prestações de contas e maior inclusão financeira”, comenta Duran. “A forma que o Bacen desenhou o Real Digital, com as mesmas regras atuais do SFN, evitam problemas de corrosão no balanço dos bancos. Isso ocorre porque os depósitos tokenizados não são afetados pelas flutuações do mercado, uma vez que são ancorados em moeda fiduciária. Dessa forma, os bancos podem melhorar sua estabilidade financeira e reduzir os riscos associados à volatilidade”, conclui.O BC acabou de selecionar os consórcios de instituições financeiras para os testes da fase piloto do Real Digital, chamada de Piloto RD. Trata-se de um ambiente simulado para realizar testes experimentais de operações com a moeda digital, sem que envolva transações ou valores reais. O objetivo é classificar os benefícios da programabilidade da plataforma para operações com ativos tokenizados. Durante esta fase, várias funcionalidades serão testadas, enfatizando a privacidade enquanto ocorrem trocas de informações entre os participantes da plataforma. IA Generativa A partir de modelos pré-estabelecidos, a Inteligência Artificial Generativa tem a capacidade de gerar novos produtos e criações. Para os negócios, a GenIA pode ser usada em duas vertentes: para aumentar a eficiência dos negócios, a partir da automatização de processos, e na otimização de recursos, aprendizado, colaboração e redução de riscos. Outra grande mudança proporcionada pela IA genarativa é a melhora na experiência do cliente, que passa a ser mais conversacional.“A IA Generativa pode criar produtos e serviços totalmente personalizáveis, melhorando a jornada dos clientes e até mesmo o auxílio na otimização do atendimento de contas. Porém, ainda temos a questão regulatória, que está em desenvolvimento e nos fará aguardar um pouco mais para ter acesso a essa nova tendência tecnológica”, finaliza. Os fatos são nítidos: o setor financeiro brasileiro está passando por uma significativa transformação impulsionada por avanços nos meios de pagamento e serviços bancários. O Brasil tem vasta expertise e se destaca no desenvolvimento de tecnologias inovadoras, que cada vez mais impactarão de forma positiva clientes, mercado e a sociedade como um todo. É preciso se conectar de forma estratégica, eficiente e ágil à essas mudanças, que com certeza irão ditar os rumos dos próximos anos. Leandro Duran Head of Digital Strategy, CI&T 10