Cartas de uma jornada 30 anos

GRATIDÃO

Por Stanley Rodrigues

Era 5 de maio de 2014, minha primeira reunião como CI&Ter. Na mesa, dez mentes: arquitetos, diretores, executivos e dois dos fundadores.

O que se desenrolou diante de mim não foi apenas uma reunião, foi uma demonstração viva de integridade intelectual. Ideias se chocavam não como armas, mas como instrumentos de refinamento. Quando o arquiteto gentilmente contestou o ponto do CEO, e a sala se uniu ao argumento mais convincente, percebi que havia cruzado território desconhecido. Nos mundos corporativos que eu conhecia, deferência à hierarquia era regra silenciosa. Mas aqui, nesta sala ensolarada de ideias compartilhadas, o velho modelo de comando e controle se evaporou. Eu havia testemunhado uma verdade que ouviria ecoar frequentemente: a sala é mais inteligente que o indivíduo.

Nas minhas primeiras reuniões de PDCA gerencial, ficou claro que pessoas eram o coração deste lugar. Conversas fluíam sobre negócios, clientes e tecnologia, sempre pela perspectiva das “pessoas”. A CI&T vivia seu credo: Desenvolvemos pessoas antes de desenvolver software. Num mundo ainda lutando com os resíduos da rigidez do século XX, isso parecia o século XXI respirando ar fresco num dia sufocante.

Além de colaborativa, a cultura CI&T era revigorante. Aqui, autenticidade tinha espaço pra se esticar. Olhos brilhavam de propósito. E, nesse paradoxo de brilhantismo coletivo, o indivíduo se tornava mais empoderado que em culturas que glorificam o lobo solitário. A CI&T entendia algo atemporal e raro: colaboração é multiplicador. Lá em 1995, construir uma empresa baseada em colaboração genuína não era só audacioso, era visionário.

Conforme mergulhava mais fundo na trama dessa cultura, um sentimento se destacou acima do resto: gratidão. Emergiu não como sentimento passageiro, mas como força silenciosa, um reconhecimento de que nenhum de nós conquista nada sozinho. Gratidão nos humilha, mas nos fortalece. Dissolve barreiras e revela o quanto devemos aos que estão ao nosso redor.

Sob essa luz, a crença da CI&T em perspectivas diversas e construção coletiva se tornou não só inteligente, mas sagrada. Gratidão é o catalisador invisível, a enzima mágica que ativa todo o sistema.

Gratidão convida respeito e nutre humildade. Juntas, formam o solo de onde crescem resistência e adaptabilidade. Caminha de mãos dadas com escuta, uma escuta que não é passiva, mas profunda. Nesse tipo de ambiente, somos livres pra errar, aprender, evoluir. Somos indivíduos mais resilientes e adaptativos. É o solo do ganha-ganha.

Aqueles que vivem com gratidão veem mais longe, sentem mais profundo. Percebem o mundo não como carente, mas como cheio. Dão mais e, de alguma forma, recebem mais de volta. Essa, pra mim, é a essência de um CI&Ter: alguém que carrega esses valores pra casa, pros clientes e de volta, expandindo um círculo de influência positiva. E quem, no final, é o maior beneficiário? A sociedade.

Talvez seja por isso que clientes se sentem atraídos pela CI&T. Fazer negócios digitais bem-sucedidos requer qualidade, velocidade e escala, tudo combinado. E só um ambiente genuinamente colaborativo, criativo e orientado pra inovação gera esse ecossistema. E gratidão, sempre silenciosamente, lubrifica todo esse motor.

Devo agradecimentos a tantos ao longo dessa jornada. Mas, acima de tudo, sou grato por fazer parte de um lugar corajoso o suficiente pra liderar mudança e humilde o suficiente pra continuar se reinventando. A CI&T me torna um ser humano melhor. E, no final, o que mais poderíamos pedir? Somos, todos nós, apenas humanos.

Obrigado.


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