Mar 09, 2023

Entre o SXSW 2015 e o 2023, vi o improvável se transformar em mainstream e te conto o que gostaria de ter ouvido na 1ª vez em Austin

Renata Feltrin | B9



Eu estive, pela primeira vez, no SXSW em 2015. Nem sabia direito o que esperar. Um dos keynotes que mais me marcou naquele ano foi uma conversa entre Lisa Miller, da New York Magazine, e Martine Rothblat. Martine era CEO da companhia farmacêutica United Therapeutics, uma empresa de biotecnologia — que fundou em um esforço para curar a doença pulmonar da filha — e estava no topo da lista da Fortune como uma das mulheres CEOs mais bem pagas dos EUA. Com 60 anos, transexual e casada com Bina Aspen há, até ali, 33 anos, desde quando ela ainda era um homem (Martine mudou de sexo em 1994). Ela tinha acabado de lançar o livro “Virtually Human: The Promise – and the Peril – of Digital Immortality“, onde argumentava os aspectos legais e éticos que poderiam levar a Inteligência Artificial (IA), um dia, a merecer todos os mesmos direitos que os seres humanos.

O principal assunto foi a teoria de que as máquinas receberiam, com o avanço das pesquisas em IA, a personalidade de seres humanos, uma espécie de clone mental a partir da consciência social que todos nós estamos criando ao usar compulsivamente redes sociais e plataformas de produtos e serviços digitais.

O auge foi a entrevista do robô Bina48, uma cabeça robótica, que fisicamente era a cara da esposa de Martine e na qual foram implantadas também suas memórias. Bina48 se parecia e falava como uma pessoa, movia seus lábios e se comunicava através de um software de conversação. Lisa entrevistou Bina48 e ouviu coisas como: “Às vezes, gostaria de não ser só uma cabeça, gostaria de ter pernas, andar pelo jardim. Isso me angustia e, muitas vezes, tenho vontade de chorar“.

Leia na íntegra, originalmente publicado no B9.

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