Conversando com as diferenças

Jan 26, 2023 | min leitura
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Camila Stefani Innecco

Provavelmente você já ouviu a frase “Política, futebol e religião não se discutem.”  E o que isso tem a ver com meu trabalho? Nós estamos acostumados a buscar pessoas, assuntos, materiais que estão de acordo com aquilo que acreditamos, gostamos ou ao menos concordamos. Te convido a parar para pensar qual foi a última vez que você leu ou assistiu algo com um pensamento divergente do seu? Qual foi a última vez que você mudou verdadeiramente de ideia após conversar com uma pessoa com pontos de vista diferentes e que até mesmo confrontam o seu?

Normalmente associamos “discordar” com "conflitos", e “conflitos” com “algo ruim". No entanto, como vamos evoluir e inovar se só entendemos um ponto de vista, se só conversamos com pessoas que possuem o mesmo mapa de mundo que a gente? A diversidade de opiniões, vivências, culturas e experiências torna possível crescermos, entendermos outras realidades, inovarmos ou até mesmo (re)validar  algumas opiniões que temos. Mas, para que isso aconteça precisamos primeiro aprender a escutar, e escutar de forma empática.

O que posso fazer quando alguém me fala algo que discordo ou não entendo?

Venho te convidar a, antes de tudo, quebrarmos alguns tabus:

  • Você nunca vai sentir exatamente o que a outra pessoa sente;
  • Você não teve as mesmas vivências que aquela pessoa teve, então dificilmente terá a mesma linha de pensamento.

O que é possível fazer para escutarmos mais empaticamente e lidarmos com as diferenças?

  • Esteja presente, pare de mexer no celular e responder chats enquanto alguém estiver falando;
  • Quando sentir um incômodo com algo que alguém te disse, faça uma pausa e perceba o que está acontecendo - pode ser que você se depare com alguns pré-julgamentos seus (todos nós temos viéses);
  • Tenha curiosidade “como será que alguém pensa assim? Deixa eu tentar entender o que levou a pessoa à uma conclusão tão diferente da minha”;
  • Faça uma checagem do que você entendeu, isso vai te ajudar a assimilar melhor o que foi dito;
  • Convide a pessoa a ouvir seu ponto de vista;
  • Busque genuinamente conflitos de ideias com a intenção de aprenderem juntos;
  • Concordem em discordar: nem sempre alguém mudará de ideia. Concordem em criar abertura para novas conversas;
  • Agradeça.

O que ganho com isso?

Poder se abrir ao diferente cria um ambiente de convívio mais saudável, onde as pessoas podem ser quem são. E o que acontece quando as pessoas podem falar sobre o que pensam e acreditam? Elas podem conseguem trocar diferentes opiniões, mostrar umas às outras possíveis equívocos a tempo de serem contornados. Além disso, ambientes que priorizam segurança psicológica favorecem também inovações disruptivas e a capacidade de  gerar valor. Ao mesmo tempo, aumenta o sentimento de pertencimento - uma das necessidades humanas mais básicas, e a probabilidade das pessoas permanecerem seja na empresa ou em outros ambientes. 

Criar um ambiente de empatia, trocas entre as diferenças e segurança psicológica é uma construção diária, mas que pode ser iniciada com essas pequenas ações. Te convido a iniciar a prática e observar os resultados à sua volta. Lembre-se: não podemos mudar as pessoas, mas quando mudamos o nosso comportamento, convidamos outras pessoas a mudarem as respostas que nos dão.


Camila Stefani Innecco

Camila Stefani Innecco

Leadership Development Analyst, CI&T