Como o Bradesco está recrutando e inspirando na Era da IA

Ago 12, 2025 | min leitura
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Tony Rodrigues

Evolução cultural. É assim que o Bradesco, um dos maiores bancos da América Latina, tem encarado a transformação da área de pessoas diante da ascensão da Inteligência Artificial. A IA, que já estava presente no banco em áreas como crédito, risco e experiência do cliente, agora também ganha protagonismo no RH e impulsiona uma nova forma de pensar o trabalho, a gestão de talentos e o papel da tecnologia dentro das empresas.

Em entrevista ao MesaCast CI&T durante o Febraban Tech 2025, Silvana Machado, Diretora Executiva de RH e Sustentabilidade do Bradesco, explica que o banco olha para a aplicação da tecnologia em todo o ciclo de gestão de talentos: da atração ao desenvolvimento das pessoas, da retenção à operação do dia a dia. O objetivo? Usar a IA não apenas para ganhar produtividade, mas também qualidade.

“O Bradesco já utiliza Inteligência Artificial em diversos departamentos. Agora estamos trazendo essa tecnologia para a área de pessoas e vemos muitas oportunidades de otimização para o futuro”, afirma a executiva.


Automatização no RH do Bradesco: os bastidores da transformação que libera o talento humano

Atualmente, tarefas como administração de folha de pagamento, cadastros, atendimento de dúvidas, além dos exames periódicos, estão em fase de transformação para receber o apoio da inteligência artificial. Mesmo com benefícios operacionais claros da automação dessas rotinas, Silvana garante que o ganho não será apenas de produtividade. 

“A aplicação de IA no RH não será só para ganho de produtividade, mas também de ganho de qualidade nos processos.”

Um exemplo claro ocorrerá no processo de recrutamento, que tradicionalmente é longo e complexo. No Bradesco cada etapa está sendo revista com o apoio da IA para ser mais assertiva, inclusiva e inteligente no futuro.

Segundo Tony Rodrigues, CTO Latam da CI&T, a personalização começa já na descrição da vaga. “Muito se fala na hiper personalização para o cliente, mas na CI&T já estamos personalizando as vagas que publicamos”, afirma. Com vagas delineadas de forma hiper personalizada, a etapa seguinte (seleção dos currículos), também é feita com o apoio da Inteligência Artificial para trazer mais acurácia, além de tornar possível estabelecer critérios objetivos para evitar vieses em entrevistas iniciais.

Mas como garantir que esses processos continuem humanos, mesmo com tanto apoio tecnológico? A resposta está na alocação inteligente do tempo das pessoas. No Bradesco, o processo de experimentação da IA busca preservar o olhar humano em etapas estratégicas, como:

Processos seletivos para cargos seniores ou com menor volume de candidatos;

Fases avançadas de processos seletivos de alto volume;

Análises de perfil e escopo profissional em cargos que exigem combinação única de habilidades.

Com o funil de recrutamento otimizado pela IA, a previsão é de que os profissionais de RH ganhem tempo de qualidade para identificar nuances comportamentais, soft skills e potencial de desenvolvimento, aspectos difíceis de captar em processos massificados. Isso promete resultar em contratações mais precisas e com profissionais mais alinhados aos desafios da organização.


Além da atração: como o Bradesco cultiva uma experiência que retém

Se atrair os talentos certos já é desafiador, reter colaboradores exige ainda mais estratégia, principalmente em um cenário onde empresas de diversos segmentos competem pelos mesmos profissionais. 

Essa jornada contínua exige do time da RH do banco um alto nível de entrega da experiência do colaborador, envolvendo desafios adequados, plano de carreira, segurança psicológica, líderes inspiradores e, no caso do Bradesco, uma cultura que acolhe cinco diferentes gerações trabalhando juntas.

Para sustentar esse ambiente, a instituição investe em diversas frentes: treinamentos promovidos pela UniBrad (reconhecida como melhor universidade corporativa do mundo), desenvolvimento de soft e hard skills, uso de tecnologias, como a Gen AI, e uma revisão constante do próprio processo de treinamento, tanto no conteúdo, quanto no formato.

Nesse novo cenário, além do upskilling e reskilling tradicionais, começa a ganhar força o novo conceito de metaskilling, no qual a capacidade de reconfiguração dos profissionais é determinante para se adaptar às mudanças constantes. A Inteligência Artificial contribui para esse contexto estimulante com um papel bem definido: apoiar o crescimento das pessoas, e não controlá-las. “Se a IA for utilizada para controlar pessoas, ela terá um efeito contrário e vai provocar a perda de talentos. A IA deve ser um instrumento para apoiar os profissionais”, complementa Tony.

Esse apoio passa, por exemplo, pelo desenvolvimento de novas competências, inclusive digitais, e não apenas nos times de desenvolvimento. Como lembra Silvana, a tecnologia deixou de ser tema exclusivo das áreas de TI e agora faz parte da rotina de todos os profissionais, inclusive em áreas de apoio que, historicamente, não eram early adopters. 

E para que isso aconteça, é preciso mais do que ferramentas. É preciso coragem.

“Atualmente o maior desafio dos líderes é ter a coragem para tomar as decisões difíceis relacionadas a todas as mudanças que estamos vivendo. Coragem para fazer diferente. O setor financeiro como um todo é corajoso pelo que está fazendo”

“O futuro da gestão de pessoas será moldado por líderes que tenham coragem de transformar. E essa transformação já começou.”, finaliza Silvana.


Tony Rodrigues

Tony Rodrigues

CTO LATAM na CI&T