Desmistificando o que é acessibilidade digital na web

Abr 23, 2024 | min leitura
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Victoria Krupp

Você já se perguntou como outras pessoas utilizam a web? Como uma criança ainda não alfabetizada consegue jogar, assistir vídeos e até enviar mensagens de áudio para os pais? Ou talvez, como uma pessoa cega, que não pode ver qual botão clicar, consegue finalizar uma compra em sua loja favorita? 

Talvez essa seja a primeira vez que essas perguntas chegam até você e eu preciso te alertar: “Quanto mais exemplos eu der, mais perguntas surgirão em sua mente”. Porém, o que estou prestes a contar pode te impactar de uma forma que você jamais imaginou. 

No Brasil, de acordo com dados mais recentes do IBGE, mais de 18 milhões de pessoas têm uma ou mais deficiências. Isso contrasta fortemente com os dados de 2010, que, embora usando uma metodologia diferente, apontavam mais de 45 milhões de brasileiros como pessoas com deficiência. Um estudo de 2022 realizado pela Web Para Todos revelou que, dos 21 milhões de sites ativos no país, apenas 0,46% tiveram sucesso em todos os testes de acessibilidade, um número extremamente baixo.

No entanto, a questão da acessibilidade vai além, já que a maioria das pessoas experimentará algum tipo de deficiência em algum momento da vida. Podemos classificar as deficiências em três tipos: permanente, temporária e situacional. 

  1. Permanente: disfunções permanentes de algum sentido ou membro do corpo;
  2. Temporária: problemas como uma infecção ou recuperação de um acidente;
  3. Situacional: dependendo do ambiente em que a pessoa se encontra.

Isso significa que não podemos mensurar com precisão o impacto de tornar nossos produtos digitais acessíveis. No entanto, não queremos correr o risco de não fazê-lo e perder a oportunidade de alcançar milhares de pessoas. Neste breve artigo, vou apresentar cinco motivos para investir em acessibilidade digital.

Cinco motivos para investir em acessibilidade software

Fornece diginidade e autonomia

A web está repleta de barreiras que são significativas no acesso de muitas pessoas. Seja uma imagem em um e-commerce sem a descrição do produto ou a falta de contraste em um botão para submeter um formulário qualquer, muitos usuários não conseguem completar uma jornada do início ao fim sem se deparar com uma barreira de acesso, pois os problemas são encontrados em diversas etapas e como já mencionado no parágrafo anterior, os sites não são nada acessíveis, são poucos os que se salvam. Isso significa que estamos tirando a autonomia de muitas pessoas ao não garantir o acesso, isso porque se ela quiser usufruir de alguns espaços, possivelmente precisará que alguém faça para ela.

Retorno financeiro

Contrariando o mito de que pessoas com deficiência não têm poder de compra, um relatório do American Institutes for Research (AIR), mostrou que esse público representa um potencial de compra de aproximadamente US $490 bilhões por ano. A inclusão de profissionais com deficiência nas empresas e ações de inclusão e diversidade têm contribuído para melhorar a situação financeira dessas pessoas. Então imagina que incrível seria ter esse público consumindo da sua marca.

Maior visibilidade em mecanismos de busca

Ter um site com semântica adequada é excelente para usuários de leitores de tela, mas vai além disso. Sites otimizados tem impacto nas classificações de pesquisa pois ajuda com que os motores de busca entendam a importância e a relação de diferentes partes do seu site. E um site bem estruturado faz toda a diferença na indexação melhorando o alcance. Ana Sofia em seu artigo: “Acessibilidade digital: A inclusão como aliada de SEO”, trouxe um ponto muito importante sobre o uso de descrição das imagens como uma possibilidade de melhorar os resultados de busca, isso porque o algoritmo não consegue “ver” as imagens, porém se elas estiverem devidamente com seus textos alternativos, ele poderá entender e classificar o conteúdo relacionado a essas imagens. 

Reputação de marca

Pessoas com deficiência também tem seus grupos sociais. Seja família, amigos, cuidadores, vizinhos, o que significa que uma marca que gerou impacto para aquele usuário fará com que ele seja um promotor para outras pessoas, contando da boa experiência que foi comprar ou adquirir algum serviço em determinada empresa. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Marketing Anthropology Project em 2017, 78% dos consumidores comprarão bens e serviços de uma empresa que toma medidas para garantir fácil acesso a pessoas com deficiência.

Obrigação por lei

Talvez o motivo menos nobre, mas ainda sim relevante. No Brasil, foi instituída a Lei 13.146 (Lei Brasileira de Inclusão), que é destinada a assegurar e promover, em condições de igualdade o acesso à informação, garantindo o direito da pessoa com deficiência de forma que maximize sua autonomia, mobilidade pessoal e qualidade de vida.

A Lei também informa que essa adequação deve ser feita sob as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente, assunto que abordarei no próximo tópico. Mas não é só no Brasil que a acessibilidade digital já virou lei. Nos Estados Unidos, existe a Section 508, uma lei que exige e garante o acesso à tecnologia pelo Governo Federal Americano. Na Europa, em 2019, a União Europeia estabeleceu orientações sobre a acessibilidade digital com o "Ato Europeu de Acessibilidade", ou abreviadamente EAA. O objetivo é dar a todos igualdade de acesso às telecomunicações, ao software e à Internet. 

Como saber se meu sistema está acessível?

No parágrafo anterior mencionei sobre as diretrizes adotadas internacionalmente, estou falando sobre a WCAG(Diretrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web). É um documento que não diz necessariamente como você deve fazer, ele faz com que haja uma reflexão do que deve ser feito. Resumidamente, ela é organizada a partir de princípios, diretrizes, níveis de conformidade e critérios de sucesso.

Existem métodos para fazer a validação. Desde testes que podem ser utilizados checklists baseados na WCAG, ferramentas semi-automatizadas que através de uma varredura na página apontam para barreiras que podem ser corrigidas no código. E uma metodologia mais completa com uma dupla atuando junto para validar pontos mais abrangentes. 

Aqui na CI&T, nós temos duplas de acessibilidade que através de um framework de trabalho, participa desde o início do projeto para levantar melhorias de acessibilidade e no fim fazer a validação. A dupla é formada por uma pessoa com deficiência e uma pessoa sem deficiência e a dupla juntamente passa por diversos critérios para validar se o sistema possui barreiras de acesso que precisam ser eliminadas o quanto antes. 

Conclusão

A acessibilidade digital é um assunto para todas as pessoas e todas as áreas da tecnologia. Isso porque é uma bandeira que deve ser levantada por todas as fases de desenvolvimento do software, desde a negociação de um novo produto, até o lançamento final. Cada etapa terá a sua devida importância e papel para uma web cada vez mais acessível e agora que você já sabe da importância, é seu dever fazer algo para que aquele dado de menos de 1% dos sites acessíveis mencionado anteriormente mude o quanto antes. Você está pronto para fazer a diferença?


Antes de ir,

Se acessibilidade digital é importante para você e sua empresa, saiba como apoiamos nossos clientes nessa jornada.


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Victoria Krupp

 

Software Quality Assurance Analyst