Construindo interfaces amigáveis: A importância da acessibilidade no design de produto (Product Design)

Abr 26, 2024 | min leitura
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Augusto Scarelli

Os serviços digitais vêm se tornando cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas. Essa crescente foi acentuada no período da pandemia da COVID-19, onde várias grandes organizações e escolas se viram obrigadas a migrar para ambientes virtuais para conseguirem exercer seus papéis. Essa migração acelerada trouxe vários desafios e questionamentos. Sem um dos desafios mais relevantes a acessibilidade digital.

Um tópico que já se era discutido, principalmente após a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência realizada pela Organização das Nações Unidas em 2008, é a acessibilidade em ambientes físicos e digitais, porém, infelizmente, numa velocidade bem lenta e com poucos incentivos.

No ambiente corporativo, o tópico sempre foi recorrente, mas para garantir serviços avançados de UX em escala, a atenção precisa ser redobrada. Além do ambiente físico, muito se fala sobre a utilização de tecnologia no ensino. Esses ambientes digitais estão preparados para compartilhar informações de forma igualitária?

Além do ambiente físico, muito se é falado sobre a utilização de tecnologia no ensino, desde o básico ao universitário. Essa tecnologia pode ser identificada como a simples necessidade de fazer uma pesquisa em um motor de busca (Google, por exemplo) quanto como uma ferramenta de aulas online utilizadas para Ensinos a Distância (EaD). A questão que paira sobre o tema é: Esses ambientes digitais estão preparados para compartilhar informações de forma igualitária para todos os usuários que a acessam?

Alguns dados

Com o Censo de 2023 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), 1.771.430 milhões de matrículas foram realizadas para educação especial no ensino básico. Um aumento de, aproximadamente, 15% em relação ao ano anterior.

No mesmo Censo, foram avaliados os ambientes escolares, avaliado a presença ou a ausência de equipamentos ou atributos arquitetônicos como pisos táteis, por exemplo. O resultado final foi de que apenas 201 escolas possuem todos os aspectos analisados, o que corresponde a 0.1% das escolas brasileiras.

Outra pesquisa importante de se ressaltar é a que foi realizada em 2021 pela BigDataCorp em parceria com o Movimento Web para Todos. Nessa pesquisa foram avaliado 21 milhões de sites ativos no país, nos quais apenas 0.46% deles tiveram sucesso em todos os testes de acessibilidade.

“Os resultados de 2022 mostraram que os números gerais pioraram praticamente em todos os sites em geral. A maior explicação para isso é o crescimento da quantidade de sites ativos, principalmente de sites pequenos para os quais a preocupação com acessibilidade não está no topo. Também vale mencionar que, conforme aumenta a complexidade dos sites e da navegação, a tendência de testes falharem fica cada vez maior”

 Thoran Rodrigues, CEO da BigDataCorp.

Acessibilidade e UX em Grandes Empresas

Um melhor acesso a informações ajuda a todas as pessoas.

Quando falamos em melhorar a acessibilidade, não estamos falando apenas em incluir uma porcentagem dos usuários, mas em elevar o patamar da consultoria de UX enterprise.

Como especialistas em design de produto (Product Design) e design de serviço, não temos como prever cada detalhe de uma jornada de forma isolada. Entretanto, em projetos de UX para grandes empresas (enterprise), podemos deixar o conteúdo mais inclusivo e a experiência mais fluida através de componentes padronizados.

Para alcançar isso, seguem sugestões fundamentais para o fluxo de trabalho:

1. Siga boas práticas e Design Systems em escala

Trabalhar bem nas documentações seguindo a WCAG é essencial. Para grandes organizações, o segredo está em implementar design systems em escala, garantindo que a acessibilidade não seja um esforço único, mas um padrão replicável em todos os produtos da marca.

2. Pense nas diferentes situações do dia a dia

Ao pensar no contraste que está utilizando no protótipo, no tamanho da fonte que quer usar para um post e afins lembre-se: Os usuários podem e vão acessar/usar seu sistema em diferente ambientes (com muita ou pouca luz) e de diferentes formas (com uma mão, com as duas, com tecnologias assistivas, com teclado, com touch…). "Mas Augusto, não tem como prever todas as situações". Correto! Mas podemos e devemos dar opções para os usuários, como ferramentas para aumentar os textos do site, opção de modo claro/escuro, garantir que todas as tags HTML estejam seguindo a hierarquia de informação e assim por diante. Não pense apenas na tela ou fluxo que está desenhando, pense no sistema como um todo e o que podemos propor para melhorar a navegação dos usuários.

Tudo se resume em empatia. Temos sempre que pensar em como podemos tornar a experiência das pessoas na melhor possível e o que podemos fazer para melhorar sempre.

3. Converse com as pessoas usuárias

Não está se sentindo confiante sobre uma proposta ou fluxo que está trabalhando? Ou não sabe como validar se o conteúdo está acessível? A melhor forma de contornar essa situação é conversando com seus usuários! Assim como fazemos pesquisas e conversamos com consumidores para entender uma marca, também devemos fazer para entender nossos usuários. Não podemos assumir que sabemos como cada um vai utilizar nosso site. Observe uma velha discussão, até hoje se é discutido se deve-se começar a comer a coxinha pela massa ou pelo recheio, é biscoito ou bolacha e assim por diante. Cada um tem uma característica e um conhecimento que molda o jeito que esse usuário utiliza nosso sistemas e, a melhor forma de aprendermos essas formas, é conversando com eles.

4. Fontes e Animações

Tome muito cuidado com as fontes que utiliza. Fontes que possuem letras muito próximas atrapalham muito a leitura de usuários com dislexia, por exemplo. Outro ponto de atenção são as animações. Lembra quando o saudoso Flash ainda estava vivo? Sites com grandes animações foram feitos, sem economizar em efeitos. Isso deve ser feito com muita cautela, pois podem ocasionar ataques epiléticos em usuário fotossensíveis. "Augusto, mas é uma exigência do projeto utilizar uma animação, o que eu faço?". Mais uma vez, vamos recorrer às ferramentas que podemos deixar no sistema! Deixar uma opção para o usuário ativar ou desativar as animações do site podem ser de grande ajuda. Hoje, alguns navegadores já puxam essa configuração direto do computador dos usuários mas, como mencionei no primeiro tópico, não podemos pressupor que o navegador de TODOS os usuários farão isso.

Conclusão

Em resumo, garantir a acessibilidade é um direito assegurado por lei. Seja através de uma consultoria de UX especializada ou de um time interno capacitado, o acesso à informação deve ser a prioridade.


Perguntas Frequentes (Q&A)

Quais serviços avançados de UX a CI&T oferece para grandes organizações?

A CI&T oferece uma gama completa de serviços avançados de UX, incluindo design de produto (Product Design), design de serviço, e a implementação de design systems em escala. Com serviços de consultoria de UX enterprise, focamos em criar soluções acessíveis e centradas no usuário para grandes empresas (enterprise) que buscam transformação digital com impacto social e eficiência técnica.


Foto de Augusto Scarelli sorrindo de terno e gravata

Augusto Scarelli

Product Designer na CI&T