A potência da nova realidade do sistema bancário

Nov 01, 2023 | min leitura
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Leandro Duran

O setor bancário está diante de uma revolução sem precedentes. Mesmo que a necessidade de equilibrar inovação com custos operacionais seja uma constante nos serviços financeiros, o que se vê agora são as tecnologias emergentes desenhando um cenário de mudanças estruturais nesse mercado. 

O setor privado que mais investe em tecnologia é o bancário. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), o orçamento destinado à tecnologia bancária aumentou 289% nas últimas duas décadas, e a adoção em massa dos canais digitais pelo público no Brasil demonstra o apetite por mais inovações tecnológicas.

Para Leandro Duran, Head of Digital Strategy da CI&T, haverá oportunidades de negócio para todos os competidores - inclusive aqueles que ainda vão surgir. Por isso, perguntamos ao especialista quais são as tecnologias responsáveis por toda essa transformação e como explorar as suas potencialidades.

Do compliance à personalização com IA Generativa

A inteligência artificial não vai substituir pessoas, ela vai torná-las mais preparadas e ágeis. Ou melhor, já está tornando. 

A aplicação da IA no setor bancário não é uma novidade: o recurso já está presente na gestão de portfólio de investimentos, análise de crédito e outras rotinas. Contudo, a IA Generativa, por ser baseada em modelos de linguagem que estabelecem melhor compreensão, permite aumentar a personalização, acurácia, e, consequentemente, o engajamento de clientes. 

E a aplicação não se limita ao formato de texto. Compreender a fala e responder em áudio já é uma realidade proporcionada por essa tecnologia. 

Embora a IA Generativa seja a principal aliada na experiência de clientes através da personalização da jornada e oferta de produtos, para Leandro Duran, é no backoffice da operação que essa nova tecnologia chega primeiro.


O setor bancário lida com um trade off entre a conveniência e eficiência que a IA pode proporcionar e os riscos, muitos ainda desconhecidos, e questões regulatórias do uso de IA Generativa.

“O setor bancário lida com um trade off entre a conveniência e eficiência que a IA pode proporcionar e os riscos, muitos ainda desconhecidos, e questões regulatórias do uso de IA Generativa. Por isso a adesão dessa tecnologia começa no backoffice e atinge a interface com clientes gradualmente”, afirma o especialista.

Na operação, a inteligência artificial permite resumir, identificar e endereçar impactos de novas normativas para os respectivos setores responsáveis, além de reconhecer tentativas de fraudes financeiras e até empoderar equipes de atendimento como uma espécie de copiloto de oferta de investimentos. E o melhor: sem “financês”.

Atividades operacionais repetitivas, como a conferência de responsáveis na abertura de contas jurídicas também podem ser automatizadas com o uso da IA.

“O DREX, OU REAL DIGITAL, NADA MAIS É DO QUE A TOKENIZAÇÃO DA MOEDA BRASILEIRA E DO SISTEMA DE RESERVAS FRACIONADAS”

Tokenização no centro da fragmentação e especialização do mercado

Tokens são representações digitais de bens e compõem uma parte importante da chamada web 3.0: um conjunto de tecnologias emergentes que inclui também a blockchain e os smart contracts. 

Para Duran, essa tende a ser a principal pauta de 2024 graças às ações de vanguarda do Bacen. “O Drex, ou real digital, nada mais é do que a tokenização da moeda brasileira e do sistema de reservas fracionadas”, afirma. 

Se o open finance já ampliou a competitividade do setor ao permitir que organizações não bancárias incorporem serviços financeiros às suas soluções, a tokenização vai multiplicar a entrada de novos players. 

A partir do momento em que a moeda do país é tokenizada, é criado um padrão digital. Ou seja, qualquer ativo tokenizado pode ser lastreado no real.

As avenidas de crescimento disponíveis com a tokenização são muitas: desde uma safra agrícola até programas sociais podem ser ativos digitais, passando por itens de arte, ativos imobiliários, e praticamente tudo. Esse cenário abre espaço para novos entrantes no mercado financeiro e a especialização em tokens de nicho. 

Por fim, o especialista é enfático: “17 consórcios já estão testando o Real Digital junto ao Bacen, e mesmo que a sua organização esteja fora deles, você deve se atentar ao assunto”. Para Duran, agora é a hora de incorporar esse tema na cultura organizacional, analisar como essas tecnologias podem entrar na cadeia de valor do seu negócio e fazer provas de conceito. Afinal, quem se antecipa às mudanças sai na frente e usufrui de todas as vantagens de estar na vanguarda. 


Fontes: 

Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2023, Volume 1 e Volume 2.


Leandro Duran

Leandro Duran

Head of Digital Strategy, CI&T