Tendências em Tecnologia e AI

Fev 05, 2024 | min leitura
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Renata Mello Feltrin , Laura Kroeff

Que a IA Generativa não é mais uma tendência, e sim uma realidade, já é um fato. Longe de ser uma moda passageira ou inovação de nicho, um estudo da McKinsey estima que GenAI possa acrescentar até U$ 4,4 trilhões na economia global anualmente, um reflexo das milhares de empresas em todos os setores e e partes do mundo que já estão usufruindo da interface simples e poderosa da IA Generativa.

Para Renata Feltrin, Diretora-Executiva da CI&T para a América Latina, passado o hype em torno da tecnologia, o mundo começa a ver na prática o quanto a Inteligência Artificial pode transformar mercados, modelos de negócio e o comportamento das pessoas daqui para frente. 

Abaixo estão as principais tendências da GenAI para 2024:

Gestão do conhecimento

De acordo com uma pesquisa da Gartner, “47% dos trabalhadores digitais lutam para encontrar informações ou dados necessários para desempenhar eficazmente o seu trabalho”. 

A GenAI está mudando como coletamos, armazenamos e acessamos conhecimento para estruturas projetadas de maneira semelhante ao cérebro das pessoas. O impacto dessa transformação não será apenas nos mecanismos de pesquisa da web (como Google e Bing), mas em todo tipo de busca - desde a pesquisa de um email ou um arquivo até a procura por detalhes de um cliente em um CRM. 

Essa mudança de comportamento tende a afetar como produtos digitais são desenvolvidos, sejam eles voltados para mercados B2C ou B2B. O que antes era um simples resultado de busca, passa a ser um consultor confiável de informações, acessado por chats baseados em IA Generativa.

IA tomadora de ações

Não só de automação de atividades individuais vive uma Inteligência Artificial. Conforme a IA evolui para agentes, a tecnologia não apenas coleta e organiza dados, mas também toma decisões e ações por conta própria. 

O resultado são agentes aconselhando e agindo em nome dos seres humanos. Em outras palavras, além de gerar textos, imagens e insights, a IA vai decidir por si mesma o que fazer com essas informações.

Atualmente, a inteligência artificial atua como co-piloto para auxiliar no desenvolvimento tecnológico. A supervisão humana é fundamental para evitar erros causados por alucinações e vieses, além de garantir alinhamento com questões éticas.

Em um cenário mais distante já é possível imaginar a Inteligência Artificial lançando um novo produto sozinha (mesmo que muito trabalho ainda precise ser feito para chegar nesse ponto).

2024 será um ano em que temas sensíveis poderão impactar empresas que não se protegerem com políticas de uso responsáveis relacionadas ao uso interno de IA

Regulamentação

Toda a potência da Inteligência Artificial Generativa demanda debates éticos e cuidados com a segurança no desenvolvimento e utilização. 

“2024 será um ano em que temas sensíveis poderão impactar empresas que não se protegerem com políticas de uso responsáveis relacionadas ao uso interno de IA”, afirma Laura Kroeff, vice-presidente de estratégia e impacto da Box1824.

A União Europeia foi a primeira a regulamentar o uso da tecnologia com o chamado AI Act. Já no Brasil, o Projeto de Lei 2338/2023 está discutindo a legislação sobre limites éticos na IA em questões que abordam o direito autoral, proteção de imagem, proteção intelectual, da reputação e cibersegurança.

Setor financeiro 

Influenciado pelos usuários e pelos órgãos reguladores, o setor financeiro pode ser considerado um early adopter de novas tecnologias.

Inspirados pelo e-commerce, os aplicativos bancários começaram a evoluir para superapps. Integrando serviços financeiros, cashback e marketplaces, esses ecossistemas abrangentes se alimentam da aplicação combinada de tecnologias emergentes, como IA Generativa, open finance, open data e embedded finance.

Com a implementação do Drex que promete a tokenização massiva da economia, espera-se que essa oferta ampla de serviços ganhe ainda mais impulso.

Tendências para o varejo

Não há dúvidas de que a Inteligência Artificial foi o grande tópico do varejo nos últimos dois anos. Graças ao potencial de múltiplas aplicações no comércio, a tecnologia promete implicações para o setor varejista, seja na utilização de dados para análises mais comportamentais ou no aumento da conveniência para os consumidores. 

Segundo o estudo Connected Retail da CI&T, 81% dos consumidores que participaram da pesquisa afirmam que preferem comprar de varejistas em canais online e offline. Isso indica a força da necessidade de estratégias phigitais, que em 2024 deve ter menos discussões sobre como implementar, e mais sobre exemplos nos quais a tecnologia soluciona desafios reais dos consumidores em lojas físicas. 

Outra tendência para este ano está relacionada à difusão do retail media. Agora que muitas companhias adotaram essa estratégia, o que as vanguardistas estão fazendo para inovar nesse espaço e qual será a próxima fronteira a ser superada nessa área?

Ganhos de eficiência

Embora todos os segmentos de mercado possam se beneficiar da eficiência proporcionada pela GenAI, é nos quais trafegam grande volume de dados que o aumento de produtividade é evidenciado. 

Trazendo mudanças na raíz da interação entre pessoas e máquinas, o que se espera para 2024 é o fim de uma era onde a tecnologia era vista como barreira divisória das pessoas com o mundo físico e passa a ser uma assistente que empodera pessoas. 


estamos falando de algo que muda ou potencializa os desafios de toda a agenda de tecnologia, especialmente os grandes projetos corporativos.

Além do setor financeiro e varejo, a Tecnologia da Informação como um todo vai ganhar espaço na aplicação em escala da Inteligência Artificial. Segundo Renata, “estamos falando de algo que muda ou potencializa os desafios de toda a agenda de tecnologia, especialmente os grandes projetos corporativos.”

Assistentes inteligentes de desenvolvimento que apoiam colaboradores com códigos, realizam automação de processos, integração de sistemas e segurança de dados serão uma realidade ainda mais comum.

Desse modo, com uma tecnologia mais intuitiva e projetada para inteligência humana, eliminam-se os atritos de uso e a principal tendência é que, mais do nunca, a criatividade e talento humano sejam destaque.


Renata Mello Feltrin CI&T

Renata Mello Feltrin

Diretora Executiva, CI&T

Laura Kroeff

Laura Kroeff

VP de Strategy & Impact, Box1824