VISIBILIZAR E VALORIZAR PESSOAS TRANS:
nosso compromisso com a comunidade.

Jan 29, 2024 | min leitura
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Antonia Moreira

Nosso programa de retificação de nome e gênero para pessoas trans avança e tem suas primeiras pessoas contempladas.

Nicole é uma desenvolvedora na CI&T Campinas, do interior de São Paulo, especializada em Drupal, uma tecnologia muito utilizada por nossos clientes. Em seu dia a dia como dev, Nicole utiliza diversas plataformas tecnológicas, bem como serviços e produtos digitais de seu contrato como funcionária da empresa, incluindo conta bancária, seguro e plano de saúde. Diferentemente de seus colegas, porém, Nicole não tinha o direito de ver seu nome, Nicole Costa Fonseca, em todas as plataformas. Muitas delas não tinham o campo do nome social, e exibiam seu nome morto. “É uma experiência horrível e incômoda para nós pessoas trans”, conta. 

Isso acontece porque o nome social, política para garantir que pessoas trans e travestis sejam chamadas pelo nome na qual se reconhecem, só é obrigatório por lei em âmbito público, federal e, em alguns casos, estaduais ou municipais. Dessa forma, há pouca consistência na jornada digital de uma pessoa trans com seu nome social. Em muitos casos, o nome morto, aquele pelo qual essa pessoa não se identifica mais, é exibido em notificações, apps, extratos e e-mails. 

Com isso em mente, em meados do ano de 2022, o Grupo de Ação LGBTQIAPN+ e time de ESG da CI&T, começaram a elaborar uma estratégia que tivesse um impacto importante na vida de seus profissionais trans e travestis.
Tudo começou com uma análise de dados interno para entender a representatividade de pessoas trans dentro da companhia e, após, uma pesquisa para colher feedbacks de quais melhorias e benefícios seriam interessantes para as pessoas.

Ao analisar as respostas, o Grupo de Ação se deparou com muitas perspectivas e necessidades diferentes, mas, uma dor comum a muitas pessoas sobre a retificação de nome e gênero em documentos. No Brasil, esse processo requer uma série de certidões negativas expedidas online em sites pouco funcionais, ou presencialmente. Algumas delas têm custos, que podem chegar a um total de R$600,00 dependendo da localização da pessoa. 

O Brasil tem desde 2018 uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal ao reconhecimento legal de gênero, ou seja, de que pessoas podem exercer o direito de se reconhecer a um determinado gênero, e ter seus documentos refletindo sua identidade, sem necessidade de comprovações médicas e psicológicas. O processo anterior era patologizante, e tutelava pessoas trans a outras instituições. 

Considerando todo o cenário, o Grupo de Ação LGBTQIAPN+ da CI&T se reuniu, desenvolveu estudos internos e conseguiu defender a proposta do projeto em um fórum executivo, para aprovar a solicitação de 10 vagas de retificação para pessoas colaboradoras trans. O nascente projeto ‘Meu nome, meu direito’ contou com o apoio da área jurídica, ESG, Comunicação e Estratégia e de People, mais especificamente, do time de benefícios.

A parceira escolhida para impulsionar essa ação e fazer com que ela fosse realizada com toda a transparência, cuidado e proteção das pessoas, foi a ONG Casa Neon Cunha, uma organização já preparada e experiente em relação ao processo de retificação. Com o apoio da Casa, a CI&T abriu dez vagas e cinco delas já foram concluídas com sucesso em dois estados diferentes, em São Paulo e em Minas Gerais.

O projeto de retificação da CI&T foi lançado na companhia em junho de 2023, no evento do Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, onde foram realizadas uma série de eventos, desde roda de conversa até entretenimento artístico. O lançamento foi muito positivo, assim como nos conta a Nicole Costa, uma das pessoas beneficiadas pelo projeto ‘Meu nome, meu direito’:

"Você ver a sua certidão de nascimento com o seu nome, é quase como se você tivesse nascido novamente, e com isso você ganha mais forças para todos os tipos de lutas que venham adiante, seja ela um simples pedido de crédito tal qual como enfrentar processos que possivelmente teria medo por puro preconceito.”

Nicole Costa, Developer at CI&T



Assim como a Nicole, outras quatro pessoas já finalizaram seus processos. São ações como essas que nos fazem entender o quão importante é trabalhar o tema fortemente dentro da estrutura corporativa. Pequenas ações transformam vidas e garantem dignidade e respeito para grupos minorizados. Quer saber mais sobre o Projeto Meu nome, meu direito? A Antonia Moreira, co-liderança do Grupo de Ação LGBTQIAPN+ da CI&T, conta um pouco mais em uma entrevista com a NetZero.

Escrito por Alex Furquim e Antonia Moreira.

Se inspirou e quer fazer parte do time CI&T? Acesse aqui.


foto Antonia Moreira

Antonia Moreira

Branding Analyst & Copywriter at CI&T 

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