2021, o ano da Revolução Digital: Os desafios e oportunidades em tempos de tantas mudanças e transformações

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Recentemente, Bob Wolheim, nosso CSO, entrevistou Sérgio Vezza, Vice-presidente da BEES, a startup por trás da gigante Ambev. A conversa gira em torno do crescimento da BEES, mas, acima de tudo, sobre como as empresas precisam se comportar para sobreviverem nesse novo cenário.

Mais do que nunca é preciso uma reação imediata. Agora, reagir é transformar. E, para essa transformação, são necessárias mudanças, especialmente, no pensamento estratégico e no modelo de liderança.

São tempos extraordinários e desafiadores, contudo, o software segue propiciando uma radical mudança de valores e de hábitos de consumo, em todo e qualquer segmento, em escala global. As organizações tradicionais, para continuar no páreo, necessitam passar por uma transformação sustentável que requer uma nova forma de conceber, construir e evoluir produtos, experiências e plataformas digitais, além de realizarem um redesenho do seu sistema de gestão. Esse novo sistema de gestão será o conector da estratégia com o trabalho diário das equipes.

Certamente, uma das maiores oportunidades se encontra em uma modificação na cultura e no modelo de gestão de grandes corporações que têm o seu sucesso alicerçado na excelência de gestão da qualidade, produtividade, fornecimento, distribuição e da complexidade em larga escala, fatores que são justamente os elementos que, se não geridos nos moldes da melhoria contínua e nos ciclos rápidos de descobertas, desaceleram a transformação e a inovação.

A Tecnologia Disruptiva

Expressão cunhada pelo professor de Harvard, Clayton M. Christensen, a Tecnologia Disruptiva seria, basicamente, um produto ou serviço que cria um novo mercado e desestabiliza os concorrentes que antes o dominavam. É geralmente algo mais simples, mais barato, em comparação com os existentes no mercado ou algo capaz de atender a um público que antes não tinha acesso a esse mercado. Inicia, geralmente, oferecendo produtos para um público modesto até que, no decorrer de um período, abocanha todo o segmento.

Em tempos de pandemia e de tantas transformações, existe a real necessidade de aproveitar as oportunidades que o momento traz e de construir uma estratégia focada no crescimento e na inovação ou na tecnologia disruptiva.

De acordo com Christensen, as empresas crescem impulsionadas por três focos estratégicos diferentes e graduais, ou seja, aprimorar os processos, os produtos e os serviços já existentes; utilizar as estratégias de marketing e do design, para atingir um novo mercado ou público-alvo; e modificar os modelos mentais e os modos de operar das companhias para colocar o consumidor no centro das estratégias.

A grande maioria das empresas destina um percentual muito pequeno dos seus esforços e orçamento, na faixa de 5%, às iniciativas mais disruptivas, e consideram obter os resultados em cinco ou 10 anos, ou seja, ainda investem pouco em transformação e inovação.

Sérgio Vezza comenta o seguinte: “esse é um ponto que a gente não pode deixar de lado. Numa empresa de bens de consumo ou numa indústria tradicional, diferente de uma empresa que está começando agora, a gente tem um negócio que se chama legado. Todo mundo tem um legado, todas as empresas têm um legado. Essa é a dor de cabeça, quando você quer fazer uma transformação digital, usando tecnologia”.

Assumindo um perfil digital

As novas lideranças precisam ter o preparo para colaborar mais do que comandar, fazer as perguntas certas mais do que dar as respostas e dar autonomia em vez de controlar. A liderança em tempos digitais e dentro deste novo contexto, em que está inserida uma pandemia sem precedentes, deve estar voltada ao desenvolvimento de uma mentalidade de aprendizado constante, tanto para si como para a companhia, e estar apta a criar ambientes que estimulem a experimentação e a tomada de riscos.

Sérgio Vezza ressalta: “eu acho que a gente tem de sempre se reinventar e dar oportunidade. Eu, no passado, talvez, eu pensava muito em comando e controle. Agora, é muito mais a questão da autonomia também. É você dar liberdade para o time. É você deixar o cara, muitas vezes, quebrar a cabeça. Então, acaba sendo um gestor de recursos, um orquestrador do time. O time tem de ter autonomia e, principalmente, fazer esse papel de traduzir o que é transformação, usando a tecnologia”.

Nesse sentido, a empresa precisa enxergar os possíveis erros e os problemas como oportunidades de crescimento e alavancas para a inovação, uma vez que eles são partes naturais do processo de desenvolvimento de novos produtos, serviços e experiências.

Outro fator imprescindível, para o sucesso de uma boa liderança e consequentemente de uma empresa, é a habilidade para compreender as pessoas, visto que serão elas, com o seu talento, engajamento e a sua criatividade que construirão o sucesso de uma companhia.

A tecnologia não inova, as pessoas sim. A tecnologia não está quebrando barreiras em nenhum setor ou mercado, as pessoas estão. Ser líder no século XXI é, afinal, dar um rosto humano à liderança.

Ainda dentro do tópico "lideranças'', é fato que elas se constituem em um dos principais entraves para a mudança de conceitos dentro das empresas, sejam elas grandes sejam pequenas. A questão é que, de maneira geral, a maior parte de suas atuais lideranças alcançou uma carreira de sucesso dentro do modelo clássico do século industrial, conhecido como Comando e Controle. Não é possível alavancar a inovação e a agilidade, com o uso desse estilo de liderança.

Para conseguir o seu lugar ao sol, neste novo mundo da economia digital, as empresas necessitam ter uma liderança que inspire, traduzindo estratégia em propósito; que promova a mentalidade de aprendizagem obsessiva; que também crie um ambiente para a experimentação, para os riscos e erros; mas que, acima de tudo, compreenda e valorize os seres humanos que fazem parte dessa empresa. Essa mudança não é simples nem rápida, porém, absolutamente necessária e possível.

Os desafios de estratégia e de liderança são muitos, mas já existem caminhos promissores para dar velocidade e consistência às inevitáveis mudanças no ambiente corporativo. Na prática, a mudança é encontrar um modelo organizacional e operacional que seja elaborado e planejado para mudar de acordo com a velocidade de seus clientes e com a capacidade de se adaptar continuamente. Essa seria uma estratégia centrada em inovação, ou seja, uma estratégia digital.

Foco no consumidor

Vezza coloca: “primeiro, que a gente sempre falou em ouvir o consumidor, ouvir o cliente. Essa centralidade no cliente foi onde a gente quebrou a barreira e realmente fez de forma exemplar”.
Não existe caminho fácil. Embora muitas empresas tenham optado por acelerar a transformação digital para agilizar processos, modificar serviços e criar novos produtos, a sobrevivência das operações, nesse cenário de pandemia, ainda exige muita sensibilidade para atender as necessidades imediatas de seus clientes, sem perder de vista o futuro de cada setor.

Até o presente momento, não é possível responder como será nosso novo normal, mas, ao que tudo indica, alguns hábitos vieram para ficar. Um deles é a nossa relação com a tecnologia.

A questão central é como as empresas tiveram de se preparar para uma sociedade que mudou em meses, o que levaria anos, uma vez que novos valores e hábitos de consumo surgiram. É necessário partir para uma nova jornada, em que a inovação não se dará apenas por meio do desenvolvimento de tecnologia, mas também com base em parcerias e aquisições. O comércio on-line, que vinha crescendo desde 2015, ganhou mais fôlego e importância, e foi para lá que migrou a maior parte dos consumidores, em busca de toda sorte de produtos. A atenção à mudança de hábitos dos clientes também estava no radar de empresas com visão.

No podcast citado acima, Bob pergunta: “Quais são os teus maiores aprendizados, não falando só de AMBEV e de BEES, mas também como um gestor de transformação acelerada que você é e bem-sucedido? Quais são os aprendizados dessas grandes transformações que não são só tecnológicas?”
“Primeiro mostra que você tem a capacidade de fazer e depois tenha um sponsor que seja relevante dentro da companhia que ele vai te ajudar. Porque você falou tudo, não é uma transformação digital. Uma companhia de bens de consumo, não é. É uma transformação de negócio viabilizada pelo uso da tecnologia. Então, esse foi o primeiro aprendizado”, afirma Sérgio Vezza.

O processo de diversificação foi acelerado e a tecnologia ganhou um papel central na adaptação à chamada low-touch economy.

Pessoas seguras, clientes atendidos. Essas foram as premissas imediatas dentro das corporações, no momento em que a pandemia chegou ao Brasil.

O mundo paralisou, mas os negócios não poderiam estagnar. Por essa razão, as empresas precisaram tirar projetos da gaveta ou estabelecer, como padrão, processos mais tecnológicos que ainda estavam em fase de testes. Tornou-se necessário que as empresas mudassem o seu o mindset.

O projeto BEES, na Ambev, é um grande exemplo do que estamos falando. O contexto acelerou de forma audaciosa o desenvolvimento desta plataforma, um marketplace voltado aos Pontos de Consumo (POC), consumidores B2B da Ambev. Na plataforma, não só marcas da multinacional estão presentes, como também produtos de outras empresas, expandindo a oferta aos clientes.

Em um cenário altamente digital, a Ambev inova em se relacionar com seu cliente como uma grande parceira, oferecendo descontos e fidelidade exclusiva por meio do BEES, além de praticidade: clientes fazem pedidos para seus estoques quando quiserem, e recebem no melhor dia e horário para eles.

A estratégia tem dado resultados. Mais de 300 mil pedidos ao dia, com 1.600.000 POCs cadastrados, passam pelo BEES. Isso prova que, de forma geral, empresas que apostaram, rapidamente, na implantação de um novo mindset e aceleraram os projetos guardados para o “futuro”, conseguiram crescer e se reinventar, além de entregar, cada vez mais, valor aos clientes de maneiras novas e surpreendentes.

infográfico Bees CI&T

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