Grupos de ação na CI&T: conheça as lideranças e algumas conquistas até aqui

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  • O que são os grupos de ação
  • Ações e conquistas dos grupos
  • O conceito de liderança inclusiva
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CI&T

Nós nunca tivemos tantas pessoas negras, LGBTQIA+, mulheres e pessoas com deficiência na CI&T como temos hoje, e esse trabalho é em grande parte resultado da articulação de nossas pessoas por meio dos grupos de ação voltados à diversidade. 

Os grupos de ação são muito importantes quando falamos em ESG (Meio Ambiente, Social e Governança Corporativa), pois eles são responsáveis, entre outras coisas, por estratégias para atrair e reter talentos diversos, além de contribuir para o aperfeiçoamento de processos, políticas e do próprio ambiente, tornando-o acolhedor e ousado em sua visão de diversidade, equidade e inclusão. 

Neste artigo, entrevistamos algumas lideranças dos grupos voltados à diversidade para entender a fundo como se articular em comunidade constrói um amanhã melhor e como suas próprias carreiras são afetadas positivamente quando encontram propósito social no que fazem no seu dia a dia.

Definindo grupos de ação na CI&T

Grupos de ação são responsáveis pela construção e execução da estratégia daquele tema para a empresa.

Hoje, contamos com 8 grupos de ação, incluindo pessoas negras, LGBTQIA+, mulheres, pessoas com deficiência, educação e ambiental no Brasil, e grupos de Diversidade e Inclusão nos Estados Unidos e Japão, todos integrados à estrutura de ESG e unidades de negócio da CI&T.

Os grupos de ação voltados à diversidade são compostos por pessoas que se identificam como parte de um ou mais grupos sociais, e que se propõem a agir em favor das comunidades. Assim, são um canal de comunicação importante entre as pessoas, de qualquer área ou unidade de negócio, e a CI&T. 

Grupos de ação são compostos por um número restrito de pessoas e cada grupo tem a autonomia de aceitar novos membros. Eles possuem liderança, estratégia e orçamento dedicado às ações. Excepcionalmente podem contar com pessoas aliadas.

Como tudo começou

A CI&T sempre se importou com seu impacto social no mundo, e o trabalho na área começou assim como em outras empresas brasileiras, com comitês dedicados a temas específicos, como meio ambiente, e contratação de pessoas com deficiência, seguindo as leis de incentivo que existem no Brasil. 

Porém, para expandir o impacto social e alcançar mais pessoas foi necessário tomar para si a responsabilidade por formar profissionais para a área de tecnologia. A intenção é impactar pessoas de grupos vulnerabilizados para que elas possam crescer e cultivar suas carreiras e vidas em um ambiente seguro, acolhedor e em posições na área de tecnologia com déficit de profissionais hoje.

Conversando com as lideranças dos grupos de ação fica evidente o papel central que Solange Sobral, hoje VP de Operações da CI&T em EMEA, teve no aprofundamento das questões sociais e ambientais na empresa, colocando o que antes era filantropia, vagas exclusivas para PCDs e ações de diversidade e inclusão no arcabouço que hoje conhecemos como ESG. 

Sobre isso, Marcelo Marciano, Estrategista Digital Sênior e co-líder do grupo de pessoas negras, comenta: "A Solange Sobral teve um grande papel na criação dos grupos de ação, pois ela personificou a apropriação por parte das pessoas de operação esse assunto, empoderando pessoas-chave. Houve um movimento intencional, colocando as pessoas na trincheira, com a máxima 'vamos fazer acontecer'. Esse movimento foi chave para ampliar o alcance do que a área de Pessoas já fazia”. 

O mesmo aconteceu com Silvana Xavier, Head de Transformação Digital, convidada por Solange a participar de discussões sobre empoderamento e liderança feminina: “Ter o grupo de mulheres foi importante para mim enquanto mulher e para minha carreira, um despertar para a equidade de gênero”. 

Essas provocações não tinham apenas a intenção de promover conversas, trocas de experiências e pertencimento, o intuito era ir além.  “Um dos primeiros questionamentos foi 'pra que serve esse grupo?', 'vamos ficar falando sobre ser negro?'", comenta Marcelo. 

“Foi assim que nos entendemos como grupo de ação, o tom da mensagem muda: podemos até trocar experiências, mas é mais sobre o que a CI&T vai fazer para aumentar nossa presença aqui”, afirma o estrategista, com empolgação, sobre as primeiras conversas para o estabelecimento de um grupo com objetivos e metas. 

Entre outras pessoas-chave provocadas a pensarem em ações para suas próprias comunidades estão Rodrigo Bela, Project Manager e Camila Rizzo, Sênior Manager, ambas lideranças do grupo de ação de pessoas LGBTQIA+.

“Estou na CI&T há 11 anos, e chegou um momento na minha vida que não queria fazer amizades no trabalho, era estranho entrar em alguns terrenos… falar sobre namoros na hora do almoço, por exemplo”, nos conta Bela

Ele continua: “Começamos a discutir sustentabilidade quando entrei aqui e alguns anos depois começaram os antigos comitês, mais consultivos, e levei esse anseio de discutir pessoas LGBTs para esses encontros, em um momento onde já falámos sobre mulheres na tecnologia, por exemplo”.

Essa posição de iniciar diálogos colocou Bela no radar como pessoa-chave no assunto, principalmente quando a empresa se deparou com uma pessoa colaboradora em processo de transição de gênero: “as pessoas ficaram sem saber como direcionar, então com a permissão dele [1ª pessoa trans em transição na empresa] abrimos um diálogo profundo, com respeito. Quando eu vi, estávamos produzindo conteúdo, nos posicionando e eu fui, de alguma forma, importante nesse processo”, finaliza. 

Com Camila, o caminho foi parecido: “A Solange convidou a mim e outras pessoas a fazer uma conversa sobre a vivência de pessoas LGBTQIA+ na CI&T, tínhamos a missão de aproximar as pessoas com nossas histórias e backgrounds. Nesse momento, paramos para refletir sobre ambientes seguros e a importância de falar disso”, afirma a Sênior Manager.

O que conquistamos até aqui

As conquistas dos grupos de ação de diversidade têm um impacto profundo na vida da empresa e das pessoas à sua volta. Além de gerar pertencimento, diversidade e inclusão, a articulação política de nossas pessoas em grupos de ação fomenta também a justiça social e a empregabilidade e geração de renda para grupos vulneráveis.

Pessoas negras

Para discutir o racismo estrutural e a inclusão de pessoas negras no mercado de tecnologia, o grupo de ação da comunidade rodou uma co-criação com lideranças de toda a empresa para entender ações possíveis de serem tomadas, com base em dados confiáveis, como a realidade brasileira, diferença salarial entre pessoas brancas e negras, barreiras a profissionais negros e a própria situação atual da empresa em diversidade nos cargos iniciais e de liderança. 

Esse mapeamento e co-criação levaram o grupo ao programa Identidade Negra, que contratou mais de 30 profissionais negros, alguns com experiência, mas a maioria iniciando a carreira em tecnologia. Nesse ponto, a empresa atuou em formar os profissionais para maior representatividade, não apenas buscando profissionais prontos no mercado. 

Além disso, o grupo atuou no onboarding e adaptação das novas pessoas contratadas, para garantir que quando chegassem às unidades de negócio fossem incluídas. 

Um dos pontos fundamentais no processo de inclusão foi o estabelecimento do Ubuntu, um grupo de afinidade mais abrangente que o de ação, aberto a todas as pessoas autodeclaradas pretas ou pardas. 

A iniciativa tem criando um espaço diferente e que tem dado muito certo, como conta Valesca Caetano, Talent Acquisition Analyst na CI&T: "Temos aproximadamente 140 pessoas negras no grupo, acontecem encontros mensais e a troca é sempre incrível. Temos a preocupação de realmente criar um ambiente seguro [...] Estamos sempre trazendo questões do dia a dia, do que acontece no trabalho, sempre começamos com música…".

Pessoas com deficiência

O primeiro grupo a ter inclusão com intenção na CI&T foi o de pessoas com deficiência, hoje mais de 100 colaboradores no total. A grande missão do grupo é desmistificar a crença de que não existem, ou possam existir, pessoas com deficiência na área de tecnologia ou de que elas estão sujeitas a cargos juniores, por exemplo. 

Tatiane Roque, Business Partner e co-líder do grupo, conta que o corpo executivo abraçou a causa, e que isso faz toda a diferença na inclusão: "o grupo de ação mudou o modo que olhamos para as pessoas. Falamos mais sobre os problemas, conseguimos fazer mais ações e gerar mais participação e engajamento das nossas pessoas”. 

A profissional se alinha com Anamaria Alves, analista de diversidade e inclusão, pessoa dedicada às estratégias para atração e inclusão de talentos diversos. Ambas concordam que o olhar para dentro, ou seja, para a própria realidade, é fundamental para gerar reflexões e garantir a inclusão e, assim, retenção de talentos diversos, muito além de apenas atrair. 

Sobre o papel do grupo de ação, Anamaria reflete: "Nós atuamos para apoiar a forma como as áreas da CI&T irão acolher PcDs". Ou seja, criam de fato as estratégias para acompanhar pessoas com diversos tipos de deficiência.

Mulheres

O grupo de ação de mulheres foi essencial para pautar o assunto na empresa, e também compartilhar com os homens a responsabilidade pela transformação com intenção positiva. 

“Precisamos de homens falando de viés com os próprios homens, masculinidade tóxica… Não é só uma agenda de mulheres para mulheres”,

enfatiza Silvana Xavier.

Esse movimento levou a empresa a assinar o compromisso global da ONU para empoderamento feminino, os WEPs, e a criar metas ambiciosas para mulheres na liderança. 

Silvana conta: “Queremos fazer pesquisas constantes para entender o senso de pertencimento das mulheres na empresa, captar seus sentimentos aqui dentro [...] E também acompanhar a evolução da carreira de mulheres até a liderança”.

Pessoas LGBTQIA+

Entre as principais conquistas para pessoas LGBTQIA+ na empresa está colocar o assunto em pauta, discutir e ter uma política de tolerância zero à homofobia e transfobia. 

“Na última entrada de pessoas estagiárias, por exemplo, falamos da comunidade e a galera se conectou, levantou a mão como parte do grupo, foi um presente”, revela Camila, sobre as conquistas. 

“Uma mulher da CI&T, mãe de um menino trans, me procurou falando que queria ser uma mãe melhor e que as reflexões que a própria empresa lhe fez a levaram a isso. A rede de apoio que construímos por meio do grupo de ação tornou possível fazer um direcionamento para que ela pudesse ser a melhor mãe do mundo, incluindo apoio psicológico e jurídico”, conta, relembrando das lágrimas que soltou nesse dia. 

Entre as ações que estão acontecendo agora estão sensibilizações com os times, trabalho com pessoas estagiárias, revisão de benefícios para maior inclusão, aumento de pessoas trans na empresa e a participação em feiras e eventos para reforçar a posição da empresa como um ambiente seguro e acolhedor para a comunidade. 

No exterior, o trabalho desenvolvido no Brasil também inspira novas ações, como comenta Daniel Zanchetta, Diretor de Negócios nos Estados Unidos e uma das lideranças do grupo de ação LGBTQIA+. 

“Nosso grupo nos Estados Unidos e Canadá ainda é pequeno, mas começamos a discutir questões LGBTQIA+ pertinentes ao nosso contexto…”, nos conta Daniel, sobre o trabalho do grupo de ação na América do Norte,Estamos perto de sermos patrocinadores de uma parada do orgulho, algo inédito, que vêm das discussões desse grupo”. 

As ações feitas até aqui foram fundamentais para a premiação como Great Place To Work para pessoas LGBTQIA+ no Brasil, recebida em junho de 2021. 

Da esquerda para a direta, de cima para baixo: Camila Rizzo, Daniel Zanchetta, Silvana Xavier, Anamaria Alves, Marcelo Marciano, Tatiane Roque, Valesca Caetano, Rodrigo Bela.

Lideranças inclusivas

Até aqui ficou evidente a importância dos grupos de ação para a empresa, que respira diversidade todos os dias e precisa criar os canais corretos para alavancar a inclusão internamente. Mas outro aspecto importante nos grupos de ação é a própria formação das lideranças para essa missão, complementar às suas tarefas do dia a dia, mas acima de tudo conectada com um propósito de vida maior. 

Silvana nos conta que começou no assunto de equidade de gênero quando ela foi promovida e respondeu “não” à promoção: “Eu disse não porque não via essa carreira compatível com a minha vida, equilíbrio de vida, família…Via poucas mulheres nesse papel de liderança e não me enxergava lá”, afirma a Head. 

Ela finaliza: “Participar do grupo de ação e conversar com outras mulheres foi importante para criar a segurança de dar o próximo passo. Vi que eu podia me construir como a referência que outras mulheres, assim como eu, estavam buscando. Tive a oportunidade de transformar essa carreira de liderança compatível com uma mulher mãe".

De forma diferente, mas igualmente importante, foi o processo de Marcelo Marciano para se entender como uma liderança inclusiva.

“Na CI&T não vemos espaço para uma liderança que não seja inclusiva, você já faz isso, você puxa esse tema. No meu plano de desenvolvimento pessoal inclui ser um líder inclusivo, é uma das minhas contribuições chave à empresa. Tudo o que eu estou fazendo no horizonte de inovação passa por ser uma liderança inclusiva, e assim continuar com essa agenda na empresa”.

encerra Marcelo Marciano.

O caminho ainda é grande, a causa da diversidade e inclusão é cheia de aprendizados, erros e novas tentativas, nas busca por ações efetivas, que focam em ações estruturantes, para além da lógica “diversidade é mais criatividade, e por consequência mais inovação e lucro”. 

A transformação real é entender o mundo à nossa volta e agir para melhorá-lo, com intenção positiva de fazer a diferença e desbloquear o potencial de pessoas de grupos sub representados. Brilhantemente, os grupos de ação têm nos dado respostas e soluções. 

Acesse nossa página Global ESG para saber mais sobre o que estamos aprendendo e fazendo na área. 


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