A importância do ambiente seguro para a liberdade de ser quem se é

Out 08, 2021 | min leitura
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Camila Rizzo

É a primeira vez que eu paro para escrever sobre diversidade. Não é a minha área de formação, não sou especialista, mas este é o tema que mais vivo no meu dia a dia e no meu coração já faz algum tempo.

Há pouco mais de um ano, parei para refletir sobre como era o mundo à minha volta e como eu poderia torná-lo melhor. Não só para mim mesma, mas para as pessoas ao meu redor. Como poderia utilizar meus aprendizados, minhas experiências profissionais e pessoais para tornar o dia a dia de outras pessoas mais leve?

Comecei, inconscientemente (ou não), a usar as ferramentas e métodos que eu conhecia para criar movimentos. Inspirada em outras iniciativas da CI&T, comecei planejando e envolvendo as pessoas que poderiam me ajudar a ir adiante com a ideia e acabei criando um grupo de mulheres, onde fosse possível trocar ‘dores e flores’, discutir, nos inspirar umas com as histórias das outras e, acima de tudo, criar um ambiente seguro dentro do nosso contexto. Logo no primeiro encontro, aquela sensação de “não sou só eu” apareceu forte e meu coração começou a ficar quentinho.

Ao mesmo tempo que este sentimento de segurança e rede de apoio começou a se espalhar em outras mulheres, eu fui convidada a participar de um talk sobre LGBTQIA+ na CI&T. Quando parei para refletir sobre o conteúdo, ganhei meu maior presente na jornada da diversidade: conectei o que eu vivi com a real importância de um ambiente seguro e o quanto isso havia refletido positivamente na minha carreira.

Muito se fala da importância da diversidade, da representatividade nas empresas e inúmeros artigos conectam esses valores, social e economicamente, ao mundo corporativo. São olhares necessários e extremamente relevantes, mas, na prática, para essa roda girar é mandatório que as pessoas tenham um ambiente seguro e confortável para serem quem elas quiserem, liberando banda mental, eliminando fricções e preocupações desnecessárias para que elas possam cada vez mais colocar energia onde realmente importa.

Este ambiente seguro não é suportado apenas pelas descrições das vagas no Linkedin dizendo que a empresa apoia a diversidade, tampouco pelos adesivos de arco-íris colados em notebooks pelos coworkers da vida… Essa segurança vem do cotidiano, do mesmo “skin in the game” que falamos com os nossos clientes.

Quão confortável é para um homem, branco e cis ir ao banheiro durante o expediente? Deveria ser o mesmo para uma mulher trans — ainda que, pela falta de inclusão no mundo corporativo, 90% das pessoas trans recorram à prostituição em algum momento da vida. Gays e lésbicas deveriam poder falar tranquilamente sobre seus finais de semana com os maridos ou esposas nos almoços com o time ou nas viagens aos clientes ao invés de escutarem piadas que reforçam machismo enquanto olham para o celular. Bissexuais não são pessoas confusas, não estão querendo chamar a atenção e também não precisam lidar com comentários inconvenientes que as julgam enquanto trabalham.

Exemplos não faltam para que possamos refletir o quanto precisamos mudar nossas ações, o quanto precisamos estar abertos para aprender e evoluir. Mas, o quanto estamos, de fato, atentos e nos posicionando em relação a isso no dia a dia? Já refletiu sobre isso?

Que consigamos evoluir eliminando cada vez mais os desperdícios desta jornada, fazendo com que as pessoas não gastem tempo escondendo quem são, que consigam colocar toda energia e amor em suas atividades, consigam conquistar cada vez mais espaço e que façamos tudo isso pensando longe (e agindo agora) para acelerar a colheita de frutos bons e justos, praticando isso dentro e fora do ambiente corporativo e utilizando nossos métodos conhecidos não só em nossos projetos e produtos digitais, como em nossas vidas.

Depois de muitos anos trabalhando majoritariamente com homens, hoje consigo entender que frases como “ah, ela é mais macho que muito homem aqui” não é um elogio, consigo me vigiar para não criar cada vez mais cascas que não são minhas e sou muito grata por tudo que aprendi, pela cultura da CI&T e pela coragem que desenvolvi para chegar até aqui, me desconstruindo e aprendendo mais, todos os dias. Não podemos parar.


Camila Rizzo

Camila Rizzo

Sr. Product Development Manager, CI&T