Mulheres em carreiras técnicas: a história de Dayani de Oliveira

Ago 25, 2022 | min leitura
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Dayani de Oliveira

Dayani de Oliveira é Head de Tecnologia na CI&T, e integrante do grupo de ação de Mulheres. Uma das líderes do projeto Academia de Arquitetura para Mulheres, que tem o objetivo de contribuir com mais mulheres na carreira técnica como arquitetas, Day, como gosta de ser chamda, nos deu uma entrevista sobre sua trajetória e perspectivas. 

- Conte um pouco sobre sua trajetória: o que você cursou na faculdade? Por que escolheu a área de tecnologia?

Desde criança sempre gostei muito de mexer no computador. Meu pai me deu um computador quando eu era criança e eu ficava formatando, mexendo em tudo que dava. Fiz curso, me interessava muito, além disso, gostava de esporte e uma outra opção de faculdade era ed. física.

Como eu gostava muito de exatas, na época acabei me arriscando em fazer Ciência da Computação. Não sabia muito bem o que eu faria depois, já que naquela época o mercado para essa área não era tão aquecido. 

Mas no final, deu tudo certo. No segundo ano da faculdade, fiz meu primeiro estágio, lá mesmo. A partir disso, também comecei a participar de grupos de monitoria e mais para o final do curso,  fiz um estágio em uma empresa que fazia site de notícias lá da cidade, foi nesse momento que comecei a programar de verdade.

Depois, me formei e acabei voltando para a faculdade, mas agora como contratada. Comecei um projeto de Iniciação Científica para mestrado, que foi na área de agronomia. Nesse projeto, olhávamos para melhorias na utilização dos insumos na agricultura, através de geolocalização. Isso nos dava a visão de onde precisava de mais recursos.

Logo depois dessa experiência, fui para uma outra empresa e comecei a minha carreira com Desenvolvimento Java. Passei por algumas empresas até que uma pessoa conhecida veio para Campinas e me chamou. Foi nesse momento que conheci a CI&T.

- E com a CI&T, como foi esse caminho até a liderança?

Estou na CI&T desde 2012, seguindo a trilha de arquitetura. Passei por vários contratos, diferentes clientes, segmentos, complexidades diversas. Já estive mais imersa no cliente. Comecei a ganhar outros tipos de musculatura, vim de uma pegada muito técnica, mas exposta ao cliente e acabei ganhando muita maturidade. Comecei a exercitar a resiliência, comunicação e o tempo todo precisava mostrar o que estávamos criando e as referências do que fazíamos. 

Com o tempo, fui para um outro cliente, com atuação mais ampla e perto dos Heads de Arquitetura. Exercitei um olhar mais amplo e estratégico. Não olhava só para a operação, mas também ajudando o time de arquitetura do cliente a tocar essa estratégia, usando os lugares em que a CI&T estava conectada para gerar aprendizados e compartilhar com a empresa como um todo. Isso acabou trazendo resultado de negócio, conseguimos alavancar um serviço de atendimento durante a pandemia e esse feito me levou a ser Head de Tecnologia, de ponta a ponta.

Não só em tech, mas também contribuindo com as metas da CI&T, tendo outras responsabilidades, me preocupando com coisas que já eram motivos de cuidado no meu dia a dia, mas agora eu tenho uma preocupação mais genuína, olhando par esses números, buscando deixar as pessoas engajadas, formando pessoas, dando autonomia para que elas possam criar suas histórias.

- O que ser Head de Tecnologia em uma empresa multinacional como a CI&T representa para você?

É um motivo de muito orgulho. Não só como Head de Tech, mas desde o inicio da minha carreira, quando comecei a atuar mais em papéis de liderança em arquitetura, sempre tive pouca representatividade e eu fui a primeira em alguns cargos. Fui a primeira arquiteta de sistemas e depois a primeira gerente de arquitetura.

Head de tech tinha a Maura Francesca, que sempre foi uma inspiração para mim, então eu acho isso uma tremenda responsabilidade, porque foi difícil chegar até aqui. Tive uma rede de apoio muito legal.

Para algumas mulheres pode parecer que esse lugar é inalcançável, mas é possível. Agora encaro esse papel com uma responsabilidade de “como faço outras mulheres trilharem essa carreira e entender como isso é possível, e como posso ajudá-las a se sentirem mais seguras para estar aqui?”.

Acho que a Academia de Arquitetura respondeu coisas que eu nem imaginava. Pedimos um feedback para essa iniciativa e muitas delas olham para a academia como algo positivo, justamente pela questão da representatividade. Muitas vezes as mulheres acham que não podem chegar lá, mas com representatividade fica mais palpável.

- Você teve mentoras pelo caminho? Se sim, no que isso te ajudou?

Tive um pouco de síndrome da impostora. Sou indecisa, e lemos em pesquisas de mercado que as mulheres precisam estar muito mais preparadas para dizer um sim do que um homem disputando um mesmo cargo. Muitas das vezes, das minhas viradas de papel, às vezes não me sentia segura para me sentir pronta. Eu tive pessoas ao meu lado que me disseram que sim, estava pronta e estavam dispostas a me ajudar.

Isso me trouxe uma segurança, me fez aceitar os desafios que foram sendo propostos ao longo da minha carreira. Ter essa rede de apoio foi fundamental. Tive momentos chaves, principalmente como desenvolvedora, nessa virada onde precisava me posicionar mais e participar, tive alguns atritos no meio do caminho, pedrinhas e cheguei a pensar em desistir, pensar e que eu não deveria seguir nessa carreira porque era muito difícil, tendo que lidar com vários tipos de problemas.

Nesses momentos, tiveram pessoas que me ouviram, me entenderam, me deram força e que também me ajudaram para alguma coisa em que eu conseguisse passar por aqueles momentos e continuar na trilha.

Essas pessoas foram fundamentais, porque às vezes nem eu acreditava em mim mesma. Eu falava: será que eu consigo mesmo? Será que isso está certo? E na maior parte das vezes, deu certo. e quando precisei de ajuda tive a quem recorrer.

- Quais foram algumas dificuldades que você teve ao longo da sua jornada e como você lidou com isso?

Acho que uma das coisas é que quando comecei a atuar nesse papel de liderança, achava que tinha que saber todas as respostas de tudo, e fui ficando muito sobrecarregada. Eu mesma colocava essa pressão em mim. Nao era culpa do time, eles estavam pedindo ajuda. Mas, aprendi que se você está sempre resolvendo os problemas, não deixa espaço para o time crescer.

Se eu continuasse daquela forma, talvez não daria conta. Então passei a enxergar que precisava contar com as pessoas. Isso liberou espaço para pensar em outras coisas e também deu oportuniade para outras pessoas

Você precisa saber quem procurar, onde pesquisar, como encontrar o caminho. Você precisa olhar para seus pares, e saber que você precisa dividir com eles. As decisões podem ser tomadas por todo o time, não só por uma pessoa.

Não precisamos ser heroínas o tempo todo, precisamos contar com pessoas parceiras para ajudar e contribuir com um determinado problema.

- Como podemos levantar outras mulheres para chegar em cargos de liderança?

Trazendo muito do que foi pra mim: mentoria é importante, você ser alguém disponível e aberta para ajudar a criar esses ambientes onde elas possam se sentir seguras para falar o que elas quiserem e eu acho que também precisamos ter canais para falar sobre essas coisas, que é normal ter insegurança, é normal não saber tudo. Ter essas conversas e demonstrar que isso faz parte do dia a dia de qualquer um. Então, eu me vejo no papel de ajudar na formação e na carreira técnica. Proporcionar esses aceleradores. Acho que a academia é um exemplo disso, na CI&T como um todo existem outras coisas que são importantes: mentoria, formação de liderança, talks sobre síndrome da impostora. Ter mulheres no seu dia a dia como liderança que consigam ter esse olhar e a mesma preocupação

Tem muita coisa que precisa ser feita. Eu me vejo contribuindo na parte de formação técnica e fornecendo esse ambiente seguro, mostrando representatividade e ajudando elas no que for preciso.

- Qual conselho você daria pra quem está começando agora?

Não tenha medo de se expor, de tirar dúvida, de perguntar. Se joga nos desafios, acredite que é possível. Todo mundo aprende e às vezes aprender fazendo, durante o desafio, é o que te ajuda a ganhar confiança.

Identifique quem são as suas lideranças, as pessoas com quem você pode contar e não fique batendo cabeça, sofrendo sozinha. Use essa rede de apoio que achas que vai ser importante para seguir. Conheça seus objetivos, o que você precisa melhorar

Tem um exercício que fizemos na academia, que foi uma pessoa que mostrou: ela falava da pirâmide, pensando no próximo passo para alcançar esse objetivo precisa saber o que sabe, o que não sabe e o que não sabe que não sabe. Olhar para isso e buscar as respostas para continuar evoluindo

O importante é que a gente esteja feliz, esteja fazendo o que a gente gosta. Existe uma série de coisas que podem ajudar e contribuir no dia a dia para sua evolução. 

Você consegue.








Dayani Oliveira

Dayani de Oliveira

Head of Technology, CI&T