Eficiência digital: DevOps, Desenvolvimento Ágil e Novas capacidades Técnicas

Set 26, 2022 | min leitura
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Vemos muitas discussões que conectam gestão de produto, design, devops e abordagens data-driven, mas pouco tem sido falado sobre o principal ativo entregue por essa conexão: a tão aclamada eficiência digital, que garante velocidade de adaptação, reação e geração de impacto, além de enxugar as estruturas tradicionais do modelo ágil para potencializar o ganho em escala nas operações. 

Nesse cenário, é preciso evoluir radicalmente as práticas de engenharia de software, baseando-as em muita automação, e passar pelos modelos operacionais e mentais de uma tech company para, então, falar sobre experiência e capacidade de adaptação às novas necessidades e oportunidades.

DevOps: Desenvolvimento ágil e acelerado

Segundo pesquisa da IT Mídia (realizada no 1º semestre de 2022), 58% das empresas entrevistadas estão buscando posicionar a Tecnologia da Informação (TI) como uma área estratégica no negócio. 

Surfando na crista da transformação digital, companhias de produtos e serviços de diversos setores desenharam o sonho de transformar a própria TI em um grande laboratório de experimentação rápida (que desbloqueasse aprendizados com a maneira como os usuários interagiam, identificando novas oportunidades por meio daquilo que oferece mais valor a essas pessoas). 

Com desenvolvimento ágil e acelerado, cada nova feature do poderia ser tratada como um experimento antes de ser incorporada às plataformas, aos produtos e ao negócio. Afinal, ciclos cada vez mais curtos entre concepção de hipóteses, desenvolvimento, implantação e aferição dos resultados baseados em dados são a chave para trazer um impacto cada vez maior quando o assunto é digital.

Para que o desenho-sonho saia do papel, tech companies que buscam ciclos cada vez mais curtos de implementação, com maior time to market, precisam aproximar o time de negócio dos times de desenvolvimento e investir em novas práticas de engenharia de software.

O DevOps Research & Assessment (DORA), adquirido pelo Google em 2020, é um instituto que elabora pesquisas anuais sobre a maturidade dessas práticas de engenharia no mundo todo desde 2014 e as apresenta em seu relatório chamado Accelerate State of DevOps. Dentre os aprendizados, eles classificam as empresas em 4 níveis de performance na entrega de software (Low, Medium, High e Elite performers). Para se ter uma ideia, operações consideradas Elite tem um tempo de release de software (do desenvolvimento à produção) abaixo de 1 hora. Por outro lado, nada incomum presenciarmos grandes empresas com tempos na casa de 50-80 dias. A diferença é bastante significativa.

Esse nível de performance, aliado à práticas de produto integradas aos times de tecnologia, é a grande corrida do momento pós-transformação digital.

Operações Elite: múltiplos deploys e estabilidade

Operações Elite já representam 26% das 32 mil analisadas por pesquisa realizada pelo DORA em 2021; em 2018, eram apenas 7%, segundo o relatório. Essas operações realizam múltiplos deploys diariamente (até 973 vezes mais do que as de baixa performance), assim como implementam alterações em projetos e corrigem falhas 6.570 vezes mais rápido. Aliás, o relatório revela que times Elite cometem 3 vezes menos erros.

Além disso, priorizar velocidade (frequência de implantação de códigos novos em produção e tempo entre o desenvolvimento de uma funcionalidade até a produção) e estabilidade (o que envolve identificar quais códigos originaram incidentes em produção que impactaram o usuário e o tempo desde a identificação de um incidente até a correção em produção) cria uma tensão saudável para acelerar sem abrir mão da qualidade.

Tais características são previstas pelas chamadas 4 key metrics, ou as Quatro Métricas-Chave que estão sendo adotadas de forma corporativa para medir a performance operacional nas empresas.

Cloud, automação e novas capacidades técnicas

Novas capacidades técnicas, como computação em nuvem, microsserviços e processos baseados em automação, também entram no jogo para se chegar à eficiência digital. Como cada jornada é única, é preciso entender quais são os recursos que devem ser priorizados nesse mercado em constante evolução. 

Por exemplo, o Accelerate State of DevOps Report 2021 destaca que 56% dos entrevistados apostam no uso de cloud pública, ou seja, 5% a mais do que em 2019. Aqueles que optam por estratégias multicloud (21%) destacam como principais vantagens os benefícios exclusivos oferecidos pelas plataformas (26%) e a disponibilidade dos serviços (22%).

O documento indica, inclusive, que documentação de qualidade importa, já que times que contam com esse recurso são 3,8 vezes mais propensos a implementar práticas de segurança em suas ações, além de 2,4 vezes mais tendenciosos a atender ou exceder expectativas de desempenho, tendo 3,5 vezes mais propensão a implementar práticas de Site Reliability Engineering (SRE) e 2,5 vezes mais tendência a aproveitar tecnologias de cloud em sua totalidade.

Transformação Digital: o que vem pela frente? 

Nas últimas décadas, mudanças estruturais e culturais se intensificaram nos grandes projetos de transformação digital e praticamente todas as empresas conseguiram chegar ao outro lado com algum nível de maturidade. 

Assim como qualquer outro movimento dessa magnitude, abrem-se uma série de oportunidades de ajustar os parafusos e otimizar aquilo que agora passa a ser dominado, mas ainda não otimizado. Eficiência é o nome desse novo jogo.

Fonte: Accelerate State of DevOps Report